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	<title>Refutatio</title>
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	<description>Desenredando o irresponsável emaranhado dos opinadores</description>
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		<title>Refutatio</title>
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		<title>Resposta à tréplica de um ateu</title>
		<link>http://refutatio.wordpress.com/2010/05/30/resposta-a-treplica-de-um-ateu/</link>
		<comments>http://refutatio.wordpress.com/2010/05/30/resposta-a-treplica-de-um-ateu/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 30 May 2010 17:53:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Materialismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, pessoal. Felizmente, um dos autores que buscamos refutar respondeu às nossas objeções, o que é sempre de grande proveito para o debate de cosmovisões e o esclarecimento de conceitos filosóficos, por vezes tão obscuros que os erros mais crassos acabam passando por verdades banais. Por outro lado, infelizmente, o autor foi extremamente desrespeitoso em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=refutatio.wordpress.com&amp;blog=9748972&amp;post=82&amp;subd=refutatio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, pessoal.</p>
<p>Felizmente, um dos autores que buscamos refutar respondeu às nossas objeções, o que é sempre de grande proveito para o debate de cosmovisões e o esclarecimento de conceitos filosóficos, por vezes tão obscuros que os erros mais crassos acabam passando por verdades banais.</p>
<p>Por outro lado, infelizmente, o autor foi extremamente desrespeitoso em sua tréplica, fazendo pouco caso de nossas palavras, omitindo diversas objeções e apelando quase que o tempo todo a termos depreciativos. Não vimos em nossa refutação anterior justificativa alguma para tal comportamento, uma vez que, mesmo discordando em absoluto de muitas das afirmações do autor, jamais lhe faltamos com o devido respeito.</p>
<p>Talvez este seu comportamento se explique pela insegurança de muitas de suas convicções e a insustentabilidade da maior parte dos seus conceitos, algo que a nós ficou relativamente claro neste último (e de nossa parte derradeiro) exercício de refutação.</p>
<p>Enfim, lamentamos essa postura, que consideramos ser verdadeiramente muito mais antitética ao bom debate do que, por exemplo, muitos dos predicados que os religiosos comumente recebem dos ateus.</p>
<p>Dito isto, prossigamos.</p>
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<p>.</p>
<p>.<br />
<strong>Trecho 1</strong></p>
<p><em>A primeira resposta que vou comentar está publicada aqui  : <a href="../2009/10/17/36/">Refutando um ateu</a></em></p>
<p><em>Essa resposta já começa muitíssimo mal ao anunciar que vai usar um fomato inspirado no <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Disputation">disputatio</a> medieval. Repito aqui o que já disse diversas vezes. Existe uma diferença brutal e grotesca entre reverenciar o intelecto de pessoas brilhantes do passado que foram capazes de ver muito adiante de seu tempo versus <a href="http://www.oindividuo.org/2010/01/11/citando-aristoteles/">citá-las literalmente</a> ou achar acriticamente que os métodos e idéias que eram revolucionariamente geniais há séculos atrás ainda o sejam pelos padrões de hoje.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><strong><br />
<strong>1) O oponente lança mão de um método já batido.</strong></strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> é preciso ressaltar duas coisas: 1) não usamos o método como ele foi originalmente utilizado, ou nosso trabalho seria muito maior e muito mais rigoroso do que foi aqui apresentado, e nem cremos que o artigo do argüente mereça tamanho esforço. Desde o início ressaltamos que o <em>disputatio </em>é uma <strong>inspiração</strong>, e daí vamos ao fato 2) nesse método nos inspiramos por ele ser o mais preciso e o mais direto ao ponto, sem nos perder em digressões e ataques extra-argumentativos, além de buscar formular objeções que nem o próprio argüente pensaria, enriquecendo assim a questão abordada e a tentativa de esgotar o problema. São predicados mais do que suficientes para justificar o uso do método.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO:</span> ninguém mais utiliza tal método, nem sequer nas universidades, onde originalmente se desenvolveu.</p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> Se ele deixou de ser utilizado, se foi simplesmente esquecido, há razões para isso que talvez ultrapassem a simples justificação cronocêntrica. Mas tal questão cabe a um outro debate, que, se o argüente estiver disposto, podemos iniciar uma outra hora. Importa é ressaltar que a localização no tempo não basta para desmerecer coisa alguma, que dirá um método dialético de disputa responsável pelas mais precisas e rigorosas distinções filosóficas que a história já conheceu.</p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>Trecho 2</strong></p>
<p><em>Enfim, a resposta em questão se refere ao meu texto <a href="http://www.oindividuo.org/2009/09/12/ateismo-para-principiantes/">Ateísmo Para Principiantes</a>.</em></p>
<p><em>A resposta começa por fazer a seguinte afirmação sobre o meu texto :</em></p>
<p><em>1) É possível fazer uma analogia entre Deus e o Papai Noel. São duas crenças, e de mesmo grau.</em></p>
<p><em>Já nesta primeira frase, a desonestidade (ou alternativamente a obtusidade) do autor fica clara. Absolutamente não afirmei isto colocado acima, e muito pelo contrário, escolhi Papai Noel ao invés de Zeus ou Horus como exemplo especificamente porque é razoavelmente incontroverso (exceto para quem é maluco ou não tem absolutamente nada melhor para fazer) que Papai Noel não exista de fato. Apesar disso, caso fosse contra a lei não acreditar em Papai Noel ou caso eu fosse regularmente atacado por questionar essa crença, discutir a existência de Papai Noel cresceria muito em relevância, e é esse tipo de reação e posição que caracteriza os ateus, não em geral um arcabouço filosófico maior em comum. Eu estou nesta parte do texto discutindo a falta de unidade ideológica entre ateus, não se a crença em deus é filosoficamente equivalente à crença em Papai Noel.</em></p>
<p><em>Mas então, ironicamente ao extremo, a resposta prossegue para afirmar :</em></p>
<p><em>NEGAÇÃO: O argüente constrói um “boneco de palha” do Deus cristão. O Deus cristão não é um mito, é o ser infinito e necessário. Não consta que Papai Noel seja um ser infinito, mas sim um ser contingente e ficcional.</em></p>
<p><em>Ora, santas ironias. Isso de dizer que eu estou construindo uma equivalência entre deus – e veja só, especificamente o deus cristão, que eu nem sequer menciono, afinal ateus não acreditam em NENHUM deus, não só no cristão – isso sim é um ridículo boneco de palha. Esta parte do meu texto nem sequer discute se deus existe ou não, e sim o fato de que crer ou não crer em deus não são posições sustentadas por grupos com perfis similares de unidade ideológica.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><strong><br />
<strong>1) Em momento algum foi o Papai Noel comparado ao Deus cristão, exceto como caso hipotético para comparar a atitude atéia à atitude religiosa.</strong></strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> pode não ter sido comparado <strong>literalmente</strong>, mas, ao buscar extrair as menores proposições possíveis contidas explícita ou implicitamente no texto, assim compreendemos a sua <strong>intenção</strong>. Por que não usar um outro deus qualquer, como referiu? Por que usar justamente <strong>Papai Noel</strong> como termo de comparação? Somente para tornar a comparação mais ilustrativa? Entendemos que o uso de Papai Noel nesta comparação foi um <strong>recurso retórico</strong> para depreciar a compreensão de Deus, o que fica claro na seguinte passagem: <em>Quem não acredita em deus em geral não acredita e pronto, individualmente. As pessoas que acreditam em digamos Papai Noel talvez tenham alguma coisa em comum. As que não acreditam costumam simplesmente não pensar nisso, assim como os católicos não ficam em geral gastando seu tempo se reunindo para refutar a existência de Shiva.</em></p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO:</span> como dissemos, o exemplo de Papai Noel se deveu a sua incontroversidade.</p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> mas a “questão Deus” passa longe de ser incontroversa, como vemos mais do que claramente na história da filosofia. Não faz sentido desenhar um exemplo hipotético cujo termo não se identifique de forma alguma com o caso concreto. E nós mostramos que não se identifica de forma alguma ao comparar um ser ficcional com o Ser necessário. Parafraseando o texto do argüente: não se trata de “acreditar e pronto”; Deus é plenamente discutível e filosoficamente demonstrável.<br />
De qualquer forma, a comparação é descabida.<br />
É bom ressaltar que em nosso método não pinçamos tão-somente proposições <strong>literais</strong>. Pinçamos também proposições <strong>contidas</strong>, ou seja, comumente interpretamos proposições <strong>implícitas</strong> em asserções que pareçam “banais&#8221; do argüente (o que explicamos no primeiro post deste blog).</p>
<p>.</p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>Trecho 3</strong></p>
<p><em>Segue-se então um amontoado de – não há como descrever de outra forma – baboseiras sobre  “o ser infinito já foi demonstrado desde Parmênides” :</em></p>
<p><em>Este parágrafo é um amontoado de palavras em busca de um significado. Metade dos termos não têm qualquer significado minimamente rigoroso ou aplicável de qualquer forma útil, e saltos inacreditáveis são dados mesmo que aceitemos a “lógica” interna do “raciocínio”. Chegamos aqui num ponto em que, sinceramente, nem adiante explicar. Isso aí acima  é um monte de besteiras. São coisas como esta que fizeram a metafísica perder sua credibilidade. Não que eu pessoalmente ache que ela não tenha importância ou lugar na filosofia ou mesmo na ciência moderna, mas isso aí é só uma chutação total sem qualquer rigor.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><strong><br />
<strong>1) A demonstração clássica do Ser necessário é um monte de besteiras (sic), um amontoado de baboseiras (sic), termos sem um significado minimamente rigoroso, com saltos que não respeitam a lógica.</strong></strong></p>
<p><strong><strong> </strong></strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> nada disso é válido como objeção. Tais afirmações carecem de uma mínima fundamentação para poderem ser refutadas. Quando fizemos aquela pequena demonstração fundada em Parmênides, presumimos que o argüente possuísse um conhecimento mínimo do que seja o método e a linguagem do filosofar metafísico, consagrado por milênios.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">peguemos o tal</span><span style="color:red;"> </span><span style="color:black;">“Ser”: é pura cópula da língua, nada mais do que isso. Há, por exemplo, línguas ameríndias e filipinas que nem possuem um elemento como a pura cópula.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> mas a cópula é somente um <strong>símbolo</strong>. Quando falamos do Ser, não falamos de um puro elemento linguístico e lógico, mas, através dele (<strong>formal</strong>), como uma convenção, apontamos para uma realidade (<strong>material</strong>) que percebemos, isto é, esta realidade que se nos apresenta inevitavelmente, inexoravelmente, este “algo que há” o tempo inteiro. Duvidar deste “algo que há” já é apontar “algo que há”, como tantos demonstram, entre eles Agostinho, com seu <em>fallor ergo sum</em> e, de certa forma, o próprio Descartes. O Ser é inescapável. Ora, este algo, este real, este manifesto (<em>Ser</em> na convenção da linguagem) deve necessariamente ser infinito. Pois se fosse finito, se fosse contingente, haveria pelo menos um momento em que não houve absolutamente nada. Mas do nada absoluto nada pode provir. O nada absoluto nada pode, não possui eficácia alguma. Logo, o Ser só pode ser infinito e necessário. O “haver algo” deve ser infinito, necessário.<br />
Se, ainda assim, o argüente entender que isso não passa de “um monte de besteiras” e “um amontoado de baboseiras”, recomendamos que estude o assunto com honestidade, ou que se cale a respeito dele.</p>
<p><strong>2) Esse tipo de “demonstração” é que fez a metafísica perder sua credibilidade.</strong></p>
<p><strong> </strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> o que fez a metafísica “perder sua credibilidade” foi a deturpação gnoseológica que a filosofia sofreu, mormente a partir do final da escolástica. Mas esse é um assunto que ultrapassa a presente contenda.</p>
<p><em> </em></p>
<p>.</p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>Trecho 4</strong></p>
<p><em>Vou me concentrar portanto em uma parte do argumento que é a menos delirante, embora ainda respondida de forma equivocada, que é : Como resolver o legítimo e profundo problema metafísico de que existe qualquer coisa? Por que existe algo ou invés de nada? Esse é o problema que de fato precede todos os outros e que está na base de grande parte das tentativas de construir uma teologia que parta de (ou pelo menos respeite) lógica e razão. Só que dessa questão não resolvida, vezes demais se parte então para postular alguma “causa primeira” com todo tipo de propriedades arbitrárias e que magicamente não requer ela mesma uma explicação, geralmente com pseudo-justificativas do tipo “ela sempre existiu”. Ora, se é para postular que algo sempre existiu e que por isso não precisaria de explicação (que já é evidentemente uma enrolação, mas aceitando esse argumento) então nesse caso vamos postular que o universo sempre existiu, ou que as leis da física sempre existiram, e que as leis físicas são logicamente necessárias do jeito que são, embora ainda não tenhamos entendido o motivo. Isso é muito mais metafisicamente satisfatório do que criar entidades com propriedades fantásticas que não temos nem remotamente condições de determinar ou justificar.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><strong><br />
<strong>1) “Por que há o ser e não o nada?” Esta é de fato a pergunta primordial da realidade e que sustenta uma teologia minimamente racional.</strong></strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> esta não chega a ser a pergunta primordial, e há quem a considere uma pseudopergunta. Pois ela implica em admitir por um mínimo instante a possibilidade de uma realidade em que não haja Ser. Seria como perguntar “por que o necessário é necessário”?<br />
A pergunta primordial da realidade é <em>Quid est? </em>Que é Ser? O que é este infinito inescapável, o que é este “algo”? Tudo muda, mas o que é este algo que muda e, na mudança, segue sendo algo?</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">mas a própria pergunta já implica a possibilidade de haver o nada. Imagina-se uma realidade onde não haja ser.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> o nada absoluto é simplesmente um esquema abstrato noético que busca recusar o máximo possível as infinitas notas sensíveis que temos do Ser. A elaboração noética, mental, é real, mas o fato não. Tanto a “possibilidade de haver o nada” quanto o conceito de nada absoluto<strong> é alguma coisa</strong>, é <em>aliquid res</em>, isto é, tem ser, tem positividade.</p>
<p><strong>2) A causa primeira clássica é dotada de propriedades arbitrárias, sem jamais ser ela mesmo explicada.<br />
3) Postular que algo sempre existiu e que pelo fato de sempre existir não precisa de explicação é um absurdo.</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> explicar algo é dar a sua <strong>razão, a sua causa</strong>. Mas a razão do Causa Primeira <strong>é</strong> <strong>ela mesma</strong>. Ela é sua própria causa, não por acaso a chamamos de causa primeira e necessária. Só o Ser explica o Ser. Que há que não seja Ser?<br />
Não há nada de absurdo nesta noção, trata-se de uma necessidade metafísica. “<strong>O algo”</strong> <strong>sempre existiu, </strong>esta é a questão. E para explicá-lo, teríamos que recorrer a uma causa antecedente. Mas não pode haver antecedência causal ao que é necessário; isto sim seria absurdo.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">é muito fácil simplesmente postular que existe uma Causa Necessária nestes moldes.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> como já demonstramos mais de uma vez, não há essa simples arbitrariedade. É a investigação filosófica por excelência. Quando os pré-socráticos buscavam símbolos concretos do mundo natural para explicar o que eles entendiam como o princípio da realidade, é sobre este mesmo Ser que se debruçavam. É o projeto que inaugura o que o Ocidente conhece por filosofia.<br />
A colocação do Ser necessário e absoluto é uma afirmação que se desvela por necessidade no momento em que nos demoramos sobre a realidade. Vemos que há algo sempre presente e que há coisas contingentes, existindo com carência. Há coisas que estão, há coisas que foram, há coisas que serão, etc, enquanto há uma só realidade onde todas essas contingências acontecem e que não pode ser ela mesma contingente.<br />
Enfim, este é o tema profundíssimo e essencialíssimo de todo e qualquer filosofar, e que por isso exige que nos esforcemos em compreendê-lo. Não se trata de uma brincadeira.</p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>Trecho 5</strong></p>
<p><em>Enfim, a resposta parte então para as seguintes afirmações sobre o trecho seguinte do meu texto :</em></p>
<p><em>Proposições contidas<br />
1) Religiosos em geral não duvidam de suas posições, acreditam estar certos.<br />
2) Ateus, pelo contrário, são céticos sobre quase tudo. A única certeza deles é a de que Deus não existe.<br />
3) É incontornável o fato de que alguém está certo e alguém está errado.</em></p>
<p><em>Mais uma vez, essas afirmações só podem ser explicadas por desonestidade ou obtusidade. Em primeiro lugar, a afirmação (1) não foi originalmente feita por mim, e sim precisamente pelo texto que estou criticando. Mas isso colocado, eu de fato acho que muitos religiosos parecem – não raro anunciam abertamente – assumir uma posição perfeitamente acrítica e dogmática diante de suas crenças. Mas seja como for, e seja quão críticos e ponderados alguns religiosos sejam antes de chegarem às suas conclusões, grande parte deles – e isso depende em parte da religião específica – de fato aceita argumentos baseados em autoridade, tradição ou revelação como perfeitamente válidos.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><strong><br />
<strong>1) A afirmação </strong></strong><strong><span style="font-weight:normal;">“</span></strong><strong>Religiosos em geral não duvidam de suas posições, acreditam estar certos” não foi feita por este ateu, embora ele concorde com ela. </strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span><span style="color:black;"> irrelevante, e até endossa a premissa que extraímos (mais uma vez, <strong>não nos limitamos a extrair só as literalidades</strong>).</span></p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>Trecho 6</strong></p>
<p><em>Então eu cuidadosamente passei a descrever que isso distingue a mim, eu, pessoalmente, do religioso padrão. Note-se, eu *não* acho, nem defendi, que a minha posição pessoal seja representativa de todos os ateus ou mesmo dos ateus em geral. Mutíssimo pelo contrário; eu repetidamente argumento que não existe posição filosófica ou ideológica unificada entre os ateus, e que essencialmente a única coisa que os *une* numa categoria – absolutamente não a única coisa em que acreditam – é não acreditarem em deus. Então descrever o que eu disse como sendo o enunciado em (2) é uma falsificação total; não só não é o que eu disse como é oposto ao que eu disse em vários aspectos. Se o autor realmente depreendeu honestamente algo como o que está em (2) do meu texto isso é algo que beira o analfabetismo funcional e é risível (ou conversamente altamente apropriado) que vá querer então construir um debate escolástico (entre si mesmo e um exército de bonecos de palha). No texto original, eu sublinho veementemente a questão de que nem todos os ateus rejeitam a idéia de deus pelos mesmos motivos, e que variam enormemente em suas crenças e ideologias. Esse é um dos principais temas do texto inteiro. Eu não acho nem afirmei que a maior parte dos ateus seja “cetico sobre quase tudo”, e aliás nem que *eu mesmo* seja cético sobre quase tudo – o que eu afirmei foi o que o tipo de argumento que eu aceito como legítimo exclui vários dos tipos de argumento que o religioso médio aceita como legítimo. Mas eu de fato aceito muitos argumentos concretos como legítimos e em muitos fatos como solidamente estabelecidos (o que não quer dizer que não possam ser legitimamente questionados, apenas que é preciso que sejam apresentados contra-argumentos de força suficiente). Apenas não aceito que crença em fatos deva ser decidida com base em tradição, revelação ou autoridade, como ostensivamente grande parte dos religiosos abertamente faz.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
2) Este ateu não responde por todos os ateus ou mesmo dos ateus em geral.<br />
3) Os ateus rejeitam a idéia de deus por diversos motivos distintos.</strong></p>
<p><strong><span style="color:blue;font-weight:normal;">NEGAÇÃO</span></strong><strong><span style="font-weight:normal;">: irrelevante.</span></strong></p>
<p><strong>4) Não foi afirmado que os ateus sejam céticos sobre quase tudo.<br />
5) Nunca foi afirmado que “a única certeza dos ateus é a de que Deus não existe”. Muitos ateus inclusive são ridiculamente pouco críticos (sic).</strong></p>
<p style="margin:0 0 .0001pt;"><strong><span style="color:blue;font-weight:normal;">NEGAÇÃO A</span></strong><strong><span style="font-weight:normal;">: o argüente parece ter se esquecido das próprias palavras: </span></strong><em>Mas claramente uma grande parte dos ateus – especialmente os que têm uma posição mais científica – dificilmente concordariam que os que os distingue dos religiosos seria “o estar certo, o ter razão”. Afinal, “estar certo” é algo a que não temos acesso direto, e repetidamente descobrimos que estávamos errados quando tudo parecia indicar que estávamos certos.<br />
</em>Este trecho a nós pareceu deixar claro que os ateus em geral (ou os mais cientificistas) têm uma posição cética diante de quase tudo.</p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO B: </span><strong>por definição</strong> um ateu é aquele que tem a certeza de que Deus não existe. Como dissemos em nossa própria refutação – em um das muitas objeções que o argüente parece ter ignorado ou passado por cima –, a única posição honesta para um ateu de postura cética, que crê que Deus não exista “até que se prove o contrário”, é na verdade a de um <strong>agnóstico</strong>.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO a A: </span><span style="color:black;">sua interpretação das minhas palavras está completamente deturpada.<br />
</span><span style="color:red;">OBJEÇÃO a B: </span><span style="color:black;">nenhum ateu pode ter a certeza máxima de que Deus não existe. Na verdade, pessoa alguma. Trata-se de uma consideração e avaliação daquilo que é mais provável conforme o que a Ciência já nos mostrou.</span></p>
<p><strong><span style="color:blue;font-weight:normal;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO a A: </span></strong><strong><span style="color:black;font-weight:normal;">então cremos que só restam três opções para esta contenda: 1) provar que a interpretação está equivocada; 2) concluir que nós não temos a capacidade de interpretar as palavras do argüente, ou 3) concluir que interpretamos as idéias do argüente melhor do que ele próprio.<br />
</span></strong><strong><span style="color:blue;font-weight:normal;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO a B: </span></strong><strong><span style="color:black;font-weight:normal;">se Deus é o Ser necessário e absoluto – e, mais uma vez, é este o conceito tradicional – podemos ter uma certeza metafísica da Sua existência, como já procuramos demonstrar. É claro, porém, que mesmo esta certeza última ainda dependerá de um salto de fé mínimo, pois não podemos provar nossa certeza na certeza metafísica. Logo abaixo, falamos mais sobre este assunto.<br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<!--[endif]--></span></strong><span style="color:black;"> </span><strong>.</strong></p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>Trecho 7</strong></p>
<p><em>Em resumo, é simplesmente ridícula a afirmação de que eu teria dito, seja sobre “os ateus”, seja sobre mim mesmo, que “a única certeza deles é de que deus não existe”. Isso não tem absolutamente nada a ver com qualquer coisa que eu tenha dito. Muitos ateus inclusive são ridiculamente pouco críticos, e divergem dos religiosos apenas por acreditam em autoridades (ou fantasias) diferentes. O autor da resposta segue porém não só partindo dessas premissas absolutamente absurdas sobre o que eu teria dito como procede mais uma vez a construir argumentos tão completamente delirantes que não há nem o que comentar. Eu posso me munir de paciência e me aventurar a refutar uma afirmação como “o Sol gira em torno da Terra”, que estão completamente erradas, mas que pelo menos fazem sentido e nas quais há concebivelmente motivos para acreditar. Mas não há paciência que se justifique para afirmações do tipo “já que o Sol gira em torno da Terra seu magnetismo animal aquece a aura da atmosfera terreste e provoca permutações astrais”. É esse o nível do discurso com o qual nos defrontamos aqui. Não existe sequer o que refutar. São Tomás de Aquino provavelmente teria vergonha de se ver citado num contexto como esse, e *certamente* retiraria grandes partes das coisas que escreveu se pudesse ter acesso à lógica, à filosofia e a ciencia modernas. Argumentar no século 21 com base nas categorias metafísicas e na estrutura lógica que prevaleciam na escolástica medieval é RIDÍCULO.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) “O sol gira em torno da Terra” é uma proposição que faz sentido e à qual cabe refutação.<br />
2) Algo como </strong><strong>“já que o Sol gira em torno da Terra seu magnetismo animal aquece a aura da atmosfera terreste e provoca permutações astrais” é o tipo de discurso utilizado pelo oponente, o qual nem merece refutação.</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> afirmações absolutamentes irrelevantes e deturpadoras de nossa refutação, jamais atingindo o status de uma objeção.</p>
<p><strong>3) Tomás de Aquino certamente modificaria grande parte das coisas que escreveu se pudesse ter acesso à lógica, à filosofia e à ciência modernas.<br />
4) Argumentar no séc. XXI com base na metafísica e na lógica escolástica é ridículo (sic).</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> concedemos apenas a hipótese a respeito da ciência. Mas e de que ciência estamos falando? Enquanto técnica, enquanto investigação, o quê? O princípio básico da ciência, por exemplo, se mantém até hoje, desde Aristóteles, por mais que uns e outros, fazendo essa mesma ciência, considerem ter negado o estagirita.<br />
No mais, tratam-se de pretensas objeções sem fundamento algum. É curioso que logo abaixo o argüente, para defender seu ponto de vista, valha-se de um princípio lógico (a navalha de Ockham) formulado justamente na escolástica e baseado em um princípio aristotélico.</p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>Trecho 8</strong><strong><br />
</strong></p>
<p><em>Sobre a proposição (3), eu *de fato* a faço – é incontornável o fato de que alguém está certo e alguém está errado. E tanto quanto é possível decodificar do festival de confusão mental no trecho da resposta que se segue, o autor afirma exatamente o mesmo que eu, embora por vias altamente tortuosas – que é inescapável que exista uma verdade necessária, e que se discordamos sobre características irrenconciliáveis da sua natureza última, um dos dois lados está inescapavalmente errado. Agora, repetidamente dizer “e essa verdade necessária é o deus cristão” é simplesmente patético, dado que “o deus cristão” envolve um grande conjunto de características que de forma alguma decorrem automaticamente do simples princípio metafísico de que é preciso haver no fundamento de tudo uma verdade necessária. Essa “verdade necessária” poderia envolver um deus, três deuses, infinitos deuses, ou zero deuses. Minha posição pessoal é que tudo indica que envolva zero deuses, não que eu negue o princípio metafísico de que a verdade, em algum nível de abstração, é necessária.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Há uma verdade necessária, “em algum nível de abstração” (sic).</strong></p>
<p><strong> </strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> há uma verdade necessária em qualquer nível de abstração e em qualquer instância do real, do contrário nem se poderia dizer necessária.</p>
<p><strong>2) É patético (sic) afirmar que essa verdade necessária seja necessariamente Deus (o cristão).</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO: </span>não há absolutamente nada de &#8220;patético&#8221; em tal afirmação. O Deus cristão e de diversas outras religiões é o Ser necessário, sinônimo também do Inefável, do Absoluto, do Infinito, etc.<br />
O argüente demonstra uma ignorância palmar dos conceitos filosóficos tradicionais. Antes de sair distribuindo tantos adjetivos, que ao menos se estude o assunto.</p>
<p><strong>3) A verdade necessária poderia envolver qualquer coisa, desde infinitos deuses até nenhum deus.</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span><span style="color:red;"> </span>não, uma verdade necessária necessariamente envolve um só Deus. O Ser infinito é só um, por definição; não pode haver dois infinitos coexistindo, ou sequer haveria infinitude.<br />
O argüente permanece atribuindo arbitrariedade a um problema densamente investigado na história da filosofia.</p>
<p><!--[if !supportLineBreakNewLine]-->.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 9</strong></p>
<p><em>Do mesmo trecho do meu texto são “extraídas” as seguintes proposições :</em></p>
<p><em>4) Ateus em geral fundamentam seus argumentos; religiosos em geral não.<br />
5) Religiosos em geral aceitam argumentos de autoridade, tradição e revelação, enquanto um ateu os rechaça.<br />
6) A fé não é uma boa base para um sistema de crenças.</em></p>
<p><em>Novamente, o autor da reposta confunde completamente em (4) o que eu afirmo sobre *mim* como sendo algo que eu estaria afirmando sobre todos os ateus, algo que eu digo com todas as palavras que não é o caso. Mas mesmo tomando como descrição do que teria dito sobre mim, é completamente absurda. Eu não disse que os religiosos não fundamentam seus argumentos, apenas que quase a totalidade deles aceita como argumentos válidos categorias de argumentos que eu absolutamente não aceito como tal.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Novamente, não é lícito estender a posição deste ateu à de todos os ateus.<br />
2) Não foi dito que religiosos não fundamentam seus argumentos, mas sim que aceitam como válidas bases que este ateu não aceita.</strong></p>
<p style="margin:0 0 .0001pt;"><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> outra vez, o argüente negligencia o seu próprio texto, ou está lançando mão de termos amplamente equívocos: <em>Eu não aceito argumentos de autoridade, tradição ou revelação como “provas” do que seja verdadeiro. E não acho que a fé seja uma boa base para um sistema de crenças. Portanto para mim o que me distingue de um crente padrão não é eu “estar certo” tanto quanto o que eu considero um argumento aceitável para alguém defender que está certo. </em><strong> </strong></p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 10</strong></p>
<p><em>E sim, a primeira parte de (5) é não só ontensivamente e admitidamente verdadeira como em grande parte das religiões, uma exigência formal. Quando a isso ser diferente para os ateus em geral, mais uma vez – eu *não* acho que todos os ateus pensem igual a mim, e isso é um dos principais pontos do meu texto. Inúmeros ateus estão perfeitamente felizes em aceitar autoridade, tradição ou mesmo revelação, apenas divergem dos religiosos sobre quais autoridades, tradições ou revelações consideram legítimas.</em></p>
<p><em>Sobre (6), o único ponto sobre o qual o autor realmente diz algo novo, finalmente – embora mais uma vez de forma convoluta – se coloca algo que parece com um argumento que vale a pena considerar, que é o seguinte : a fé é um elemento indispensável em qualquer sistema de crenças. Esta não é uma afirmação absurda, mas sobre ela eu tenho duas observações.</em></p>
<p><em>A primeira observação é que apesar de não ser absurda, ela é falsa. É perfeitamente possível produzir todos tipo de afirmações cuja verdade é logicamente necessária sem que isso envolva qualquer tipo de fé. É perfeitamente possível ter crenças que não dependam de qualquer suposição arbitrária. Certo, é verdade que a derivações lógicas partem de conjuntos de axiomas. Porém não há nada de errado com o conjunto vazio como ponto de partida, e é simplesmente errado concluir que dele nada podemos derivar. É verdade que deste ponto de partida somente poderemos construir teorias tautologicamente equivalentes ao conjunto vazio, mas se vamos argumentar que nosso universo está fundamentado em última análise em verdades logicamente necessárias, nosso objetivo último deveria ser precisamente explicar como é possível derivar o universo inteiro do conjunto vazio – um projeto altamente ambicioso que talvez nunca seja possível realizar completamente. Mas não, a fé não é necessária para “qualquer” sistema de crenças.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Novamente, não é lícito estender a posição deste ateu à de todos os ateus.</strong><strong><br />
2) É perfeitamente possível uma proposição necessária sem que ela envolve qualquer tipo de fé ou arbitrariedade.</strong><span style="color:blue;"> </span></p>
<p style="margin:0 0 .0001pt;"><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> o argüente ignora qualquer trecho da objeção que havíamos levantado, seja por desconhecimento do assunto, seja por má vontade – esta já patente em toda a sua tréplica. Resta-nos repetir nosso argumento, acrescentando algum didatismo, como já fizemos no caso da prova de Parmênides:<br />
Por mais que se afirme uma necessidade inescapável na investigação metafísica, ainda restará um último elemento não sujeito a explicação alguma, porque ele próprio é a base do conhecimento, é o ponto de partida de qualquer coisa que afirmemos: isto é, a equivalência do real em si (<em>quoad se</em>) em relação ao que se apresenta ante minha consciência (<em>quoad nos</em>). Como dissemos, há fé em crer que haja qualquer correspondência entre a mente e o que há. Não podemos <em>provar</em> esta correspondência.</p>
<p>Há fé mesmo em crer que haja <em>algo</em>, pois para provar que há de fato este algo, usaríamos o próprio algo como premissa. A necessidade do Ser se nos impõe intelectualmente, como já vimos, mas em última análise essa nota cognoscitiva é um ato de fé, pois não temos nenhuma outra baliza para fundar essa necessidade. Repetindo nossas palavras da refutação anterior, “o que se afirma como <strong>verdade metafísica</strong> encontra a sua justificação no que se revela como <strong>verdade de fé</strong>”.<span style="color:red;"> </span></p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">Mas logo abaixo eu admito que, se chamarmos de fé toda crença não verificável logicamente, então de fato a fé é necessária para não ficarmos num atoleiro existencial.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">então o argüente confirma o nosso sentimento de que ele se contradiz diversas vezes em seu texto.<strong> </strong></span></p>
<p>.</p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>Trecho 11</strong></p>
<p><em>Agora veja, o fato de que é preciso por vezes supor como verdade algo que não conseguimos estabelecer como logicamente necessário não significa então que vamos sair acreditando em qualquer coisa, ou que todos os sistemas para escolher crenças sejam equivalentes. Certo, é claro que é possível que todas as nossas percepções sejam falsas, que seja tudo um sonho, uma simulação de computador, um delírio. Do ponto de vista *estritamente* lógico, o fato de que o sol nasceu rigorosamente todos os dias desde que nascemos não torna sequer mais provável que ele vá nascer amanhã. Mas para ter uma vida que faça sentido, e tomar alguma decisão ao invés de ficar atolado num pântano metafísico, você tem que escolher acreditar em alguma coisa – por exemplo que o Sol vai de fato nascer de novo amanhã. Eu aceito este argumento. Mas não decorre daí que “então o sistema de crenças X está certo”, aliás muito pelo contrário – o que se está argumentando é precisamente que nenhum sistema de crenças desse tipo – que exija saltos de fé – é logicamente justificável.</em></p>
<p class="MsoNormal"><strong>Proposições contidas:<br />
1) É possível que todas as nossas percepções sejam falsas, que seja tudo um sonho.<br />
</strong><br />
<span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> essa é uma hipótese facilmente rejeitável. Se as sensações são contingentes, possuem uma causa. Se o sujeito é a causa, a sua vontade seria suficiente para criá-las. Mas vemos que não é assim, as coisas se contrapõe à nossa vontade o tempo inteiro. Ademais, os fatos que vemos na vigília não possuem a desordem e a incongruência do sonho. Por fim, caso criássemos inconscientemente a realidade, ela constituiria para a nossa consciência o mundo exterior, provando que ainda há algo fora de nós.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span>mas o inconsciente é parte da nossa mente.</p>
<p class="MsoNormal"><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> mas uma parte fora da consciência, algo que ilude, ludibria. A causa seria exterior de qualquer modo; cairíamos no pior idealismo solipsista.  Há sempre uma ordem rígida se opondo à nossa vontade. há alucinações, mas elas podem ser contidas, evitadas. Podemos, ao passar por elas, <strong>saber que se tratam de alucinações</strong>. Não faria sentido falar em alucinação se não se implica uma realidade exterior que nos é escondida.</p>
<p><strong>2) Para ter uma vida que faça sentido, acreditamos na regularidade e na realidade do mundo, mas isso não quer dizer que este salto de fé esteja certo.<br />
</strong><br />
<span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> isso equivale a cair em um ceticismo absurdo.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">mas acabou de falar que em última instância nosso conhecimento se vale de uma fé primordial.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO: </span><span style="color:black;">mas, como explicamos, essa fé primordial é algo que se nos impõe, não é simplesmente uma hipótese, porque o próprio ato de hipotetizar já supõe esta mesma fé. Em outras palavras, mesmo o mais puro ceticismo assume uma fé primordial, uma certeza infalível e universal impossível de demonstrar.<strong> </strong></span></p>
<p><strong>3) Estar certo é ser logicamente justificável.</strong></p>
<p><strong> </strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO: </span><span style="color:black;">há diversas ordens de certeza, não só a certeza lógica, mas também a metafísica, a ontológica, a psicológica, etc. A lógica depende de princípios que não são por si mesmos logicamente justificáveis, como os princípios da identidade, da não-contradição e do terceiro excluído.</span><br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]-->.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 12</strong></p>
<p><em>A questão é precisamente como escolher entre sistemas de crenças que, a rigor,  não podemos justificar logicamente, pelo menos não de forma necessária. E é aí que entra o princípio científico da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Occam%27s_razor">navalha de Occam</a> – não vamos sair fazendo suposições a não ser que elas acrescentem poder explicativo ao modelo que estamos construindo para buscar explicar os fatos que estamos admitindo como verdadeiros. Os modelos científicos, porém, são de fato admitidamente provisórios e injustificáveis como logicamente necessários. Isso não significa porém que sejam arbitrários. Tomar decisões lógicas com informações incompletas não garante acertos mas não é equivalente a escolher aleatoriamente. Agora, de um ponto de vista mais prático, a principal justificativa para a ciência é que ela FUNCIONA. Como já dizia Einstein, a coisa mais impressionante, maravilhosa e surpreendente sobre o universo é que é possivel entendê-lo. Enquanto a ciência nos deu reatores nucleares, naves espaciais e computadores, os modelos de como a realidade funciona baseados em teologia e similares não foram capazes de concretamente explicar, prever ou esclarecer absolutamente NADA, em nenhum nível, físico, metafísico, psicológico ou de nenhuma outra ordem. A realidade simplesmente NÃO FUNCIONA do jeito que as investigações teológicas prescrevem, descrevem ou prevêem e isso ao longo da história é repetidamente e facilmente observável. A principal função cumprida pelas crenças religiosas é criar um falso, ilusório e pernicioso conforto diante das questões para as quais se formos honestos não temos resposta satisfatória.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) A navalha de Ockham é um princípio válido para justificar logicamente um sistema em detrimento de outro.<br />
2) Os modelos científicos são provisórios e prováveis, não porém arbitrários.<br />
3) A principal justificativa para a ciência é que ela funciona: seus modelos nos forneceram diversas tecnologias.<br />
4) A filosofia tradicional nunca foi capaz de explicar, prever ou esclarecer absolutamente nada, seja na ordem física, metafísica, psicológica, etc.<br />
5) A ciência moderna, diferente da filosofia tradicional, é humilde, pois admite o erro quando suas previsões falham.</strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color:blue;">NEGAÇÃO A:</span> além de ser criação de um escolástico tardio, a famosa “navalha” deriva seu fundamento do princípio da economia ontológica de Aristóteles. Como já apontamos anteriormente, é evidente a contradição do ateu ao se valer da navalha de Ockham e ao mesmo tempo dizer algo como “a filosofia tradicional nunca foi capaz de explicar, prever ou esclarecer absolutamente nada” – afirmação que já é em si mesma absurda.<br />
<span style="color:blue;">NEGAÇÃO B: </span>a ciência não consegue penetrar nos <strong>primeiros princípios</strong> e primeiras conclusões. Este campo pertence à filosofia. É natural que a ciência progrida, pois seu terreno é naturalmente movediço, acidental, e não substancial, não fixo. E do que se move, muda, podemos abstrair juízos fixos, seguros, e esta é a atividade filosófica por excelência.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO a A: </span><span style="color:black;">não é que absolutamente nada da filosofia tradicional seja hoje inválido, mas sim uma grande parte. </span><span style="color:red;"><br />
OBJEÇÃO a B: </span><span style="color:black;">mas não conhecemos as coisas singulares por dedução lógica. Isso só a Ciência pode nos dar.</span><span style="color:red;"> </span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO a A:</span> então que o argüente decida de uma vez o que afinal quer dizer. Não é possível levar a sério tantas reinterpretações do próprio texto.<br />
<span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO a B:</span> certamente não o conheceremos, exceto pela experiência. Mas é por meio da filosofia que <strong>explicamos</strong> o fato singular – ou nem seria possível a ciência. A <em>praxis</em> da ciência seria inviável sem a segurança intelectual. Além disso, toda ciência parte de axiomas que ela própria não demonstra; este é um fundamento da epistemologia que se mantém desde os seus primórdios aristotélicos.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>.</p>
<p><strong>.</strong></p>
<p><strong>Trecho 13</strong></p>
<p><em>Se formos chamar de fé qualquer crença que não pudermos estabelecer como verdade logicamente necessária, então de fato em várias circunstâncias teremos que sustentar crenças deste tipo se não quisermos ficar paralisados num atoleiro existencial. Mas isso não significa que a fé seja necessariamente a *base* do meu sistema de crenças, não no sentido de que seja o fator preponderante ou mais significativo. Se alguém for argumentar que é a fé que torna meu sistema de crenças possível, e por isso é sim a base dele, eu observo que não, ela *não* torna meu sistema de crenças logicamente justificável; de fato, nada pode fazê-lo, não no atual estágio em que estamos no entendimento da realidade. A fé é apenas um quebra-galho, um tapa-buracos para o fato de que eu não sei tudo. Mas certas suposições se revelam mais úteis e mais esclarecedoras e com maior poder preditivo do que outras, e eu acho desejável preferir essas suposições às outras. Então, nesse sentido, as suposições são completamente arbitrárias enquanto as conclusões não são, e é pelas conclusões que eu julgo a qualidade das suposições. Os religiosos tendem a inverter isso completamente e insistir em suposições engessadas e imutáveis, tomando portanto a fé como base de seus sistemas de crenças, ao invés de fazerem exatamente o oposto – escolher as suposições não justificáveis que vão fazer com base no quanto as suas conseqüências parecem ser compatíveis com a realidade de fato observada.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Se chamarmos de fé toda crença não verificável logicamente, então de fato a fé é necessária para não ficarmos num atoleiro existencial (sic).<br />
2) Ela ser necessária para ter uma vida com um sentido não significa que ela seja a base do meu sistema de crenças.</strong></p>
<p><strong><br />
3) As suposições são arbitrárias, as conclusões não.<br />
4) É pelas conclusões que julgo a qualidade das suposições.</strong></p>
<p><strong> </strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> um absurdo. Partimos de certezas prévias para atingir outras certezas, ou estas outras certezas descobertas jamais poderiam atingir o status de certezas, pois de onde a chamaríamos de certezas?</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">o que nos permite chamá-las de certezas é a necessidade formal da lógica.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> e como sabemos que esta necessidade formal é uma certeza? Ademais, como já apontamos logo acima, o argüente limita-se a considerar a verdade lógica.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 14</strong></p>
<p><em>Finalmente, o autor “extrai” do mesmo trecho do meu texto as seguinte afirmações :</em></p>
<p><em>7) Acreditar em Deus é uma posição circunstancial, não metodológica ou a priori.<br />
8 ) Para a crença em Deus se justificar, é necessária:a) a comprovação empírica de sua existência.b) uma definição que faça sentido e que apresente evidências<br />
9) Tudo o que não possui comprovação empírica é dotado de um aspeco mitológico.</em></p>
<p><em>Quanto a (8), sim, é claro que é preciso haver uma definição que faça sentido. Não dá para debater se deus existe ou não sem que se apresente uma descrição minimamente consistente sobre de quê estamos falando, algo que a maior parte dos religiosos falha completamente em fazer. Note que se formos levar a sério o fato de que o autor afirma ter “refutado” (8), ele quer então que aceitemos a existência de deus sem qualquer evidência empírica (“comprovação empírica” é uma besteira) e também sem uma definição rigorosa seguida de argumentos sólidos. E a rigor, ele está certo – a mera crença em deus não requer qualquer uma dessas coisas, assim como não o requer a crença em gnomos habitando o centro da Terra. A crença em coisas aleatórias requer apenas a vontade de acreditar.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) O autor quer que se aceite a existência de Deus sem qualquer evidência empírica e sem definição rigorosa bem fundada.</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> precisamente <strong>o contrário </strong>do que pretendemos. A proposição “Para a crença em Deus se justificar, é necessária:a) a comprovação empírica de sua existência.b) uma definição que faça sentido e que apresente evidências” está perfeita, mas ela por si <strong>não é uma objeção à posição filosófica teísta, este foi o nosso ponto</strong>. O argüente critica ferrenhamente o método de disputa aqui utilizado, mas em toda a sua tréplica não entendeu que as premissas extraídas não são tão-somente premissas refutáveis em si mesmas, mas muitas vezes pontos de partida para inverter certas posições. Quando expomos a proposição referida, foi para mostrar que <strong>de fato há uma definição do que seja Deus e de fato há provas apodíticas a seu respeito, logo a proposição não é uma objeção válida. </strong></p>
<p><em> </em></p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 15</strong></p>
<p><em>Quanto a (9), isso (como inúmeras outras afirmações) não tem absolutamente nada a ver com qualquer coisa que eu tenha dito.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Nunca foi dito que tudo o que não se pode comprovar empiricamente tenha um aspecto mitológico.</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> o argüente mais uma vez passa por cima do seu texto, e aqui utilizamos palavras desta sua própria tréplica: <em>E a rigor, ele está certo – a mera crença em deus não requer qualquer uma dessas coisas, assim como não o requer a crença em gnomos habitando o centro da Terra. A crença em coisas aleatórias requer apenas a vontade de acreditar.</em><strong> </strong></p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">e mais uma vez minhas palavras foram mal interpretadas. Além disso, uma coisa como Deus não é algo passível de comprovação empírica.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> concedemos; seria absurdo pensar que Deus seja passível de comprovação empírica, pois <strong>Ele é o que sustenta a própria comprovação empírica</strong>. Ora, mais uma vez: estamos aqui falando do Ser necessário, infinito, absoluto, fundamento de toda realidade, e não de um ente qualquer, que dirá fictício.<br />
Agora, em uma comprovação empírica é preciso supor pelo menos, digamos, o princípio da identidade. Não há sequer experiência sensível sem a garantia de que as coisas sejam elas mesmas. E quem garante este princípio é o Ser necessário; o Ser nunca é falso, pois se fosse falso seria Nada, e já vimos que o Nada é impossível. A falsidade é apenas gnoseológica. A não-identidade só existe entre entes, não nos entes em si mesmos. Por isso se diz que o mundo é um reflexo de Deus.<br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><strong> </strong></p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 16</strong><br />
<!--[endif]--></p>
<p><em>Entre outros exemplos que eu poderia citar : eu escrevo que “se a ciência universal fosse atingida, ela nos diria se deus existe ou não” e o sujeito escreve que eu teria dito que “sem a ciência universal, é impossivel afirmar se deus existe ou não”. Eu digo A =&gt; B e o sujeito afirma que eu estou dizendo que ~A =&gt; ~B, um erro absolutamente básico de lógica que não se admitiria num estudante iniciante. E essa pessoa quer escrever uma refutação nos moldes de um debate escolástico!</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) É um erro absolutamente básico de lógica que, partindo de “se a ciência universal fosse atingida, ela nos diria se deus existe ou não” se infira que “sem a ciência universal, é impossível saber se deus existe ou não”.</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> como já foi dito, muitas das proposições não tomamos <strong>literalmente</strong>, restritas a si.<strong> </strong>A frase “se a ciência universal fosse atingida, ela nos diria se deus existe ou não” <strong>tomada em si </strong>de fato não permite o modal que eduzimos. Mas o texto aponta, e também toda a discussão até aqui levantada, para a crença do argüente de que <strong><span style="text-decoration:underline;">só</span> a ciência universal poderia nos dar a certeza</strong> da existência ou não de Deus. Se o argüente crê que <strong><span style="text-decoration:underline;">só</span> </strong>a ciência universal é que permite saber se Deus existe ou não, a edução que fizemos é perfeitamente válida e condizente com o texto.<br />
Como já explicamos, aqui eduzimos por vezes as proposições que <strong>fundamentam</strong> as proposições literais, tornando a refutação mais direta e mais profunda.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">mas a sua interpretação está errada. Este ateu não crê que só a ciência universal possa nos dar conhecimento efetivo sobre a existência ou não existência de Deus.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> se for apontado em que parte do texto do argüente se afirmou tal coisa, então admitiremos nosso erro.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>Termina aqui a nossa resposta à tréplica, e não iremos além disso, pois acreditamos que esta contenda já está se tornando contraproducente para os próprios leitores.</p>
<p>Obrigado.</p>
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<h2>Resposta à tréplica de um Ateu</h2>
<h2><span style="font-size:12pt;font-weight:normal;">Olá, pessoal.Felizmente, um dos autores que buscamos refutar respondeu às nossas objeções, o que é sempre de grande proveito para o debate de idéias e o esclarecimento de conceitos filosóficos, por vezes tão obscuros que os erros mais crassos acabam passando por verdades inquestionáveis. </span></h2>
<h2><span style="font-size:12pt;font-weight:normal;">Por outro lado, infelizmente, o autor foi extremamente desrespeitoso em sua tréplica, fazendo pouco caso de nossas palavras, omitindo diversas objeções e apelando quase que o tempo todo a termos depreciativos. Não vimos em nossa refutação anterior justificativa alguma para tal comportamento, uma vez que, mesmo discordando em absoluto de muitas das afirmações do autor, jamais lhe faltamos com o devido respeito. </span></h2>
<h2><span style="font-size:12pt;font-weight:normal;">Talvez este comportamento do autor se explique pela insegurança de muitas de suas convicções e a insustentabilidade da maior parte dos seus conceitos, algo que a nós ficou relativamente claro neste último (e derradeiro) exercício de refutação.</span></h2>
<h2><span style="font-size:12pt;font-weight:normal;">Enfim, lamentamos essa postura, que consideramos ser verdadeiramente muito mais antitética ao bom debate do que muitos dos predicados que os religiosos comumente recebem dos ateus. </span></h2>
<h2><span style="font-size:12pt;font-weight:normal;">Dito isto, prossigamos.</span></h2>
<h2><em><br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<!--[endif]--></em></h2>
<p><em>A primeira resposta que vou comentar está publicada aqui  : <a href="../2009/10/17/36/">Refutando um ateu</a></em></p>
<p><em>Essa resposta já começa muitíssimo mal ao anunciar que vai usar um fomato inspirado no <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Disputation">disputatio</a> medieval. Repito aqui o que já disse diversas vezes. Existe uma diferença brutal e grotesca entre reverenciar o intelecto de pessoas brilhantes do passado que foram capazes de ver muito adiante de seu tempo versus <a href="http://www.oindividuo.org/2010/01/11/citando-aristoteles/">citá-las literalmente</a> ou achar acriticamente que os métodos e idéias que eram revolucionariamente geniais há séculos atrás ainda o sejam pelos padrões de hoje.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><strong><br />
<strong>1) O oponente lança mão de um método já batido.</strong></strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> é preciso ressaltar duas coisas: 1) não usamos o método como ele foi originalmente utilizado, ou nosso trabalho seria muito maior e muito mais rigoroso do que foi aqui apresentado, e nem cremos que o artigo do argüente mereça tamanho esforço. Desde o início ressaltamos que o <em>disputatio </em>é uma <strong>inspiração</strong>, e daí vamos ao fato 2) nesse método nos inspiramos por ele ser o mais preciso e o mais direto ao ponto, sem nos perder em digressões e ataques extra-argumentativos, além de buscar formular objeções que nem o próprio argüente pensaria, enriquecendo assim a questão abordada e a tentativa de esgotar o problema. São predicados mais do que suficientes para justificar o uso do método.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO:</span> ninguém mais utiliza tal método, nem sequer nas universidades, onde originalmente se desenvolveu.</p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> Se ele deixou de ser utilizado, se foi simplesmente esquecido, há razões para isso que talvez ultrapassem a simples justificação cronocêntrica. Mas tal questão cabe a um outro debate, que, se o argüente estiver disposto, podemos iniciar uma outra hora. Importa é ressaltar que a localização no tempo não basta para desmerecer coisa alguma, que dirá um método dialético de disputa responsável pelas mais precisas e rigorosas distinções filosóficas que a história já conheceu.</p>
<p><em>Enfim, a resposta em questão se refere ao meu texto <a href="http://www.oindividuo.org/2009/09/12/ateismo-para-principiantes/">Ateísmo Para Principiantes</a>.</em></p>
<p><em>A resposta começa por fazer a seguinte afirmação sobre o meu texto :</em></p>
<p><em>1) É possível fazer uma analogia entre Deus e o Papai Noel. São duas crenças, e de mesmo grau.</em></p>
<p><em>Já nesta primeira frase, a desonestidade (ou alternativamente a obtusidade) do autor fica clara. Absolutamente não afirmei isto colocado acima, e muito pelo contrário, escolhi Papai Noel ao invés de Zeus ou Horus como exemplo especificamente porque é razoavelmente incontroverso (exceto para quem é maluco ou não tem absolutamente nada melhor para fazer) que Papai Noel não exista de fato. Apesar disso, caso fosse contra a lei não acreditar em Papai Noel ou caso eu fosse regularmente atacado por questionar essa crença, discutir a existência de Papai Noel cresceria muito em relevância, e é esse tipo de reação e posição que caracteriza os ateus, não em geral um arcabouço filosófico maior em comum. Eu estou nesta parte do texto discutindo a falta de unidade ideológica entre ateus, não se a crença em deus é filosoficamente equivalente à crença em Papai Noel.</em></p>
<p><em>Mas então, ironicamente ao extremo, a resposta prossegue para afirmar :</em></p>
<p><em>NEGAÇÃO: O argüente constrói um “boneco de palha” do Deus cristão. O Deus cristão não é um mito, é o ser infinito e necessário. Não consta que Papai Noel seja um ser infinito, mas sim um ser contingente e ficcional.</em></p>
<p><em>Ora, santas ironias. Isso de dizer que eu estou construindo uma equivalência entre deus – e veja só, especificamente o deus cristão, que eu nem sequer menciono, afinal ateus não acreditam em NENHUM deus, não só no cristão – isso sim é um ridículo boneco de palha. Esta parte do meu texto nem sequer discute se deus existe ou não, e sim o fato de que crer ou não crer em deus não são posições sustentadas por grupos com perfis similares de unidade ideológica.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><strong><br />
<strong>1) Em momento algum foi o Papai Noel comparado ao Deus cristão, exceto como caso hipotético para comparar a atitude atéia à atitude religiosa.</strong></strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> pode não ter sido comparado <strong>literalmente</strong>, mas, ao buscar extrair as menores proposições possíveis contidas explícita ou implicitamente no texto, assim compreendemos a sua <strong>intenção</strong>. Por que não usar um outro deus qualquer, como referiu? Por que usar justamente <strong>Papai Noel</strong> como termo de comparação? Somente para tornar a comparação mais ilustrativa? Entendemos que o uso de Papai Noel nesta comparação foi um <strong>recurso retórico</strong> para depreciar a compreensão de Deus, o que fica claro na seguinte passagem: <em>Quem não acredita em deus em geral não acredita e pronto, individualmente. As pessoas que acreditam em digamos Papai Noel talvez tenham alguma coisa em comum. As que não acreditam costumam simplesmente não pensar nisso, assim como os católicos não ficam em geral gastando seu tempo se reunindo para refutar a existência de Shiva.</em></p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO:</span> como dissemos, o exemplo de Papai Noel se deveu a sua incontroversidade.</p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> mas a “questão Deus” passa longe de ser incontroversa, como vemos mais do que claramente na história da filosofia. Não faz sentido desenhar um exemplo hipotético cujo termo não se identifique de forma alguma com o caso concreto. E nós mostramos que não se identifica de forma alguma ao comparar um ser ficcional com o Ser necessário. Parafraseando o texto do argüente: não se trata de “acreditar e pronto”; Deus é plenamente discutível e filosoficamente demonstrável.<br />
De qualquer forma, a comparação é descabida.<br />
É bom ressaltar que em nosso método não pinçamos tão-somente proposições <strong>literais</strong>. Pinçamos também proposições <strong>contidas</strong>, ou seja, comumente interpretamos proposições <strong>implícitas</strong> em asserções que pareçam “banais&#8221; do argüente (o que explicamos no primeiro post deste blog).</p>
<p><em>Segue-se então um amontoado de – não há como descrever de outra forma – baboseiras sobre  “o ser infinito já foi demonstrado desde Parmênides” :</em></p>
<p><em>Este parágrafo é um amontoado de palavras em busca de um significado. Metade dos termos não têm qualquer significado minimamente rigoroso ou aplicável de qualquer forma útil, e saltos inacreditáveis são dados mesmo que aceitemos a “lógica” interna do “raciocínio”. Chegamos aqui num ponto em que, sinceramente, nem adiante explicar. Isso aí acima  é um monte de besteiras. São coisas como esta que fizeram a metafísica perder sua credibilidade. Não que eu pessoalmente ache que ela não tenha importância ou lugar na filosofia ou mesmo na ciência moderna, mas isso aí é só uma chutação total sem qualquer rigor.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><strong><br />
<strong>1) A demonstração clássica do Ser necessário é um monte de besteiras (sic), um amontoado de baboseiras (sic), termos sem um significado minimamente rigoroso, com saltos que não respeitam a lógica.</strong></strong></p>
<p><strong><strong> </strong></strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> nada disso é válido como objeção. Tais afirmações carecem de uma mínima fundamentação para poderem ser refutadas. Quando fizemos aquela pequena demonstração fundada em Parmênides, presumimos que o argüente possuísse um conhecimento mínimo do que seja o método e a linguagem do filosofar metafísico, consagrado por milênios.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">peguemos o tal</span><span style="color:red;"> </span><span style="color:black;">“Ser”: é pura cópula da língua, nada mais do que isso. Há, por exemplo, línguas ameríndias e filipinas que nem possuem um elemento como a pura cópula.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> mas a cópula é somente um <strong>símbolo</strong>. Quando falamos do Ser, não falamos de um puro elemento linguístico e lógico, mas, através dele (<strong>formal</strong>), como uma convenção, apontamos para uma realidade (<strong>material</strong>) que percebemos, isto é, esta realidade que se nos apresenta inevitavelmente, inexoravelmente, este “algo que há” o tempo inteiro. Duvidar deste “algo que há” já é apontar “algo que há”, como tantos demonstram, entre eles Agostinho, com seu <em>fallor ergo sum</em> e, de certa forma, o próprio Descartes. O Ser é inescapável. Ora, este algo, este real, este manifesto (<em>Ser</em> na convenção da linguagem) deve necessariamente ser infinito. Pois se fosse finito, se fosse contingente, haveria pelo menos um momento em que não houve absolutamente nada. Mas do nada absoluto nada pode provir. O nada absoluto nada pode, não possui eficácia alguma. Logo, o Ser só pode ser infinito e necessário. O “haver algo” deve ser infinito, necessário.<br />
Se, ainda assim, o argüente entender que isso não passa de “um monte de besteiras” e “um amontoado de baboseiras”, recomendamos que estude o assunto com honestidade, ou que se cale a respeito dele.</p>
<p><strong><br />
2) Esse tipo de “demonstração” é que fez a metafísica perder sua credibilidade.</strong></p>
<p><strong> </strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> o que fez a metafísica “perder sua credibilidade” foi a deturpação gnoseológica que a filosofia sofreu, mormente a partir do final da escolástica. Mas esse é um assunto que ultrapassa a presente contenda.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Vou me concentrar portanto em uma parte do argumento que é a menos delirante, embora ainda respondida de forma equivocada, que é : Como resolver o legítimo e profundo problema metafísico de que existe qualquer coisa? Por que existe algo ou invés de nada? Esse é o problema que de fato precede todos os outros e que está na base de grande parte das tentativas de construir uma teologia que parta de (ou pelo menos respeite) lógica e razão. Só que dessa questão não resolvida, vezes demais se parte então para postular alguma “causa primeira” com todo tipo de propriedades arbitrárias e que magicamente não requer ela mesma uma explicação, geralmente com pseudo-justificativas do tipo “ela sempre existiu”. Ora, se é para postular que algo sempre existiu e que por isso não precisaria de explicação (que já é evidentemente uma enrolação, mas aceitando esse argumento) então nesse caso vamos postular que o universo sempre existiu, ou que as leis da física sempre existiram, e que as leis físicas são logicamente necessárias do jeito que são, embora ainda não tenhamos entendido o motivo. Isso é muito mais metafisicamente satisfatório do que criar entidades com propriedades fantásticas que não temos nem remotamente condições de determinar ou justificar.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><strong><br />
<strong>1) “Por que há o ser e não o nada?” Esta é de fato a pergunta primordial da realidade e que sustenta uma teologia minimamente racional.</strong></strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> esta não chega a ser a pergunta primordial, e há quem a considere uma pseudopergunta. Pois ela implica em admitir por um mínimo instante a possibilidade de uma realidade em que não haja Ser. Seria como perguntar “por que o necessário é necessário”?<br />
A pergunta primordial da realidade é <em>Quid est? </em>Que é Ser? O que é este infinito inescapável, o que é este “algo”? Tudo muda, mas o que é este algo que muda e, na mudança, segue sendo algo?</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">mas a própria pergunta já implica a possibilidade de haver o nada. Imagina-se uma realidade onde não haja ser.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> o nada absoluto é simplesmente um esquema abstrato noético que busca recusar o máximo possível as infinitas notas sensíveis que temos do Ser. A elaboração noética, mental, é real, mas o fato não. Tanto a “possibilidade de haver o nada” quanto o conceito de nada absoluto<strong> é alguma coisa</strong>, é um <em>aliquid res</em>, isto é, tem ser, tem positividade.</p>
<p><strong><br />
2) A causa primeira clássica é dotada de propriedades arbitrárias, sem jamais ser ela mesmo explicada.<br />
3) Postular que algo sempre existiu e que pelo fato de sempre existir não precisa de explicação é um absurdo.</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> explicar algo é dar a sua <strong>razão, a sua causa</strong>. Mas a razão do Causa Primeira <strong>é</strong> <strong>ela mesma</strong>. Ela é sua própria causa, não por acaso a chamamos de causa primeira e necessária. Só o Ser explica o Ser. Que há que não seja Ser?<br />
Não há nada de absurdo nesta noção, trata-se de uma necessidade metafísica. “<strong>O algo”</strong> <strong>sempre existiu, </strong>esta é a questão. E para explicá-lo, teríamos que recorrer a uma causa antecedente. Mas não pode haver antecedência causal ao que é necessário; isto sim seria absurdo.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">é muito fácil simplesmente postular que existe uma Causa Necessária nestes moldes.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> como já demonstramos mais de uma vez, não há arbitrariedade. É uma afirmação que se desvela por necessidade no momento em que contemplamos a realidade. Vemos que há algo sempre presente e que há coisas contingentes, existindo com carência. Há coisas que estão, há coisas que foram, há coisas que serão, etc, enquanto há uma só realidade onde todas essas contingências acontecem e que não pode ser ela mesma contingente.<br />
Enfim, este é o tema profundíssimo e essencialíssimo de todo e qualquer filosofar, e que por isso exige que nos esforcemos em compreendê-lo. Não se trata de uma brincadeira.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Enfim, a resposta parte então para as seguintes afirmações sobre o trecho seguinte do meu texto :</em></p>
<p><em>Proposições contidas<br />
1) Religiosos em geral não duvidam de suas posições, acreditam estar certos.<br />
2) Ateus, pelo contrário, são céticos sobre quase tudo. A única certeza deles é a de que Deus não existe.<br />
3) É incontornável o fato de que alguém está certo e alguém está errado.</em></p>
<p><em>Mais uma vez, essas afirmações só podem ser explicadas por desonestidade ou obtusidade. Em primeiro lugar, a afirmação (1) não foi originalmente feita por mim, e sim precisamente pelo texto que estou criticando. Mas isso colocado, eu de fato acho que muitos religiosos parecem – não raro anunciam abertamente – assumir uma posição perfeitamente acrítica e dogmática diante de suas crenças. Mas seja como for, e seja quão críticos e ponderados alguns religiosos sejam antes de chegarem às suas conclusões, grande parte deles – e isso depende em parte da religião específica – de fato aceita argumentos baseados em autoridade, tradição ou revelação como perfeitamente válidos.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><strong><br />
<strong>1) A afirmação </strong></strong><strong><span style="font-weight:normal;">“</span></strong><strong>Religiosos em geral não duvidam de suas posições, acreditam estar certos” não foi feita por este ateu, embora ele concorde com ela. </strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span><span style="color:black;"> irrelevante, e até endossa a premissa que extraímos (mais uma vez, <strong>não nos limitamos a extrair só as literalidades</strong>).</span></p>
<p><em>Então eu cuidadosamente passei a descrever que isso distingue a mim, eu, pessoalmente, do religioso padrão. Note-se, eu *não* acho, nem defendi, que a minha posição pessoal seja representativa de todos os ateus ou mesmo dos ateus em geral. Mutíssimo pelo contrário; eu repetidamente argumento que não existe posição filosófica ou ideológica unificada entre os ateus, e que essencialmente a única coisa que os *une* numa categoria – absolutamente não a única coisa em que acreditam – é não acreditarem em deus. Então descrever o que eu disse como sendo o enunciado em (2) é uma falsificação total; não só não é o que eu disse como é oposto ao que eu disse em vários aspectos. Se o autor realmente depreendeu honestamente algo como o que está em (2) do meu texto isso é algo que beira o analfabetismo funcional e é risível (ou conversamente altamente apropriado) que vá querer então construir um debate escolástico (entre si mesmo e um exército de bonecos de palha). No texto original, eu sublinho veementemente a questão de que nem todos os ateus rejeitam a idéia de deus pelos mesmos motivos, e que variam enormemente em suas crenças e ideologias. Esse é um dos principais temas do texto inteiro. Eu não acho nem afirmei que a maior parte dos ateus seja “cetico sobre quase tudo”, e aliás nem que *eu mesmo* seja cético sobre quase tudo – o que eu afirmei foi o que o tipo de argumento que eu aceito como legítimo exclui vários dos tipos de argumento que o religioso médio aceita como legítimo. Mas eu de fato aceito muitos argumentos concretos como legítimos e em muitos fatos como solidamente estabelecidos (o que não quer dizer que não possam ser legitimamente questionados, apenas que é preciso que sejam apresentados contra-argumentos de força suficiente). Apenas não aceito que crença em fatos deva ser decidida com base em tradição, revelação ou autoridade, como ostensivamente grande parte dos religiosos abertamente faz.</em></p>
<p><strong>2) Este ateu não responde por todos os ateus ou mesmo dos ateus em geral.<br />
3) Os ateus rejeitam a idéia de deus por diversos motivos distintos.</strong></p>
<p><strong><span style="color:blue;font-weight:normal;">NEGAÇÃO</span></strong><strong><span style="font-weight:normal;">: irrelevante.</span></strong></p>
<p><strong><br />
4) Não foi afirmado que os ateus sejam céticos sobre quase tudo.<br />
5) Nunca foi afirmado que “a única certeza dos ateus é a de que Deus não existe”. Muitos ateus inclusive são ridiculamente pouco críticos (sic).</strong></p>
<p style="margin:0 0 .0001pt;"><strong><span style="color:blue;font-weight:normal;">NEGAÇÃO A</span></strong><strong><span style="font-weight:normal;">: o argüente parece ter se esquecido das próprias palavras: </span></strong><em>Mas claramente uma grande parte dos ateus – especialmente os que têm uma posição mais científica – dificilmente concordariam que os que os distingue dos religiosos seria “o estar certo, o ter razão”. Afinal, “estar certo” é algo a que não temos acesso direto, e repetidamente descobrimos que estávamos errados quando tudo parecia indicar que estávamos certos.<br />
</em>Este trecho a nós pareceu deixar claro que os ateus em geral (ou os mais cientificistas) têm uma posição cética diante de quase tudo.</p>
<p style="margin:0 0 .0001pt;"><span style="color:blue;">NEGAÇÃO B: </span><strong>por definição</strong> um ateu é aquele que tem a certeza de que Deus não existe. Como dissemos em nossa própria refutação – em um das muitas objeções que o argüente parece ter ignorado ou passado por cima –, a única posição honesta para um ateu de postura cética, que crê que Deus não exista “até que se prove o contrário” é na verdade a de um <strong>agnóstico</strong>.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO a A: </span><span style="color:black;">sua interpretação das minhas palavras está completamente deturpada.<br />
</span><span style="color:red;">OBJEÇÃO a B: </span><span style="color:black;">nenhum ateu pode ter a certeza máxima de que Deus não existe. Na verdade, pessoa alguma. Trata-se de uma consideração e avaliação daquilo que é mais provável conforme o que a Ciência já nos mostrou.</span></p>
<p><strong><span style="color:blue;font-weight:normal;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO a A: </span></strong><strong><span style="color:black;font-weight:normal;">então cremos que só restam três opções para esta contenda: 1) provar que a interpretação está equivocada; 2) concluir que nós não temos a capacidade de interpretar as palavras do argüente, ou 3) concluir que interpretamos as idéias do argüente melhor do que ele próprio.<br />
</span></strong><strong><span style="color:blue;font-weight:normal;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO a B: </span></strong><strong><span style="color:black;font-weight:normal;">se Deus é o Ser necessário e absoluto – e, mais uma vez, é este o conceito tradicional – podemos ter uma certeza metafísica da Sua existência, como já procuramos demonstrar. É claro, porém, que mesmo esta certeza última ainda dependerá de um salto de fé mínimo, pois não podemos provar nossa certeza na certeza metafísica. Logo abaixo, falamos mais sobre este assunto.<br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<!--[endif]--></span></strong></p>
<p><em>Em resumo, é simplesmente ridícula a afirmação de que eu teria dito, seja sobre “os ateus”, seja sobre mim mesmo, que “a única certeza deles é de que deus não existe”. Isso não tem absolutamente nada a ver com qualquer coisa que eu tenha dito. Muitos ateus inclusive são ridiculamente pouco críticos, e divergem dos religiosos apenas por acreditam em autoridades (ou fantasias) diferentes. O autor da resposta segue porém não só partindo dessas premissas absolutamente absurdas sobre o que eu teria dito como procede mais uma vez a construir argumentos tão completamente delirantes que não há nem o que comentar. Eu posso me munir de paciência e me aventurar a refutar uma afirmação como “o Sol gira em torno da Terra”, que estão completamente erradas, mas que pelo menos fazem sentido e nas quais há concebivelmente motivos para acreditar. Mas não há paciência que se justifique para afirmações do tipo “já que o Sol gira em torno da Terra seu magnetismo animal aquece a aura da atmosfera terreste e provoca permutações astrais”. É esse o nível do discurso com o qual nos defrontamos aqui. Não existe sequer o que refutar. São Tomás de Aquino provavelmente teria vergonha de se ver citado num contexto como esse, e *certamente* retiraria grandes partes das coisas que escreveu se pudesse ter acesso à lógica, à filosofia e a ciencia modernas. Argumentar no século 21 com base nas categorias metafísicas e na estrutura lógica que prevaleciam na escolástica medieval é RIDÍCULO.</em></p>
<p><strong><br />
6) “O sol gira em torno da Terra” é uma proposição que faz sentido e à qual cabe refutação.<br />
7) Algo como </strong><strong>“já que o Sol gira em torno da Terra seu magnetismo animal aquece a aura da atmosfera terreste e provoca permutações astrais” é o tipo de discurso utilizado pelo oponente, o qual nem merece refutação.</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> afirmações absolutamentes irrelevantes e deturpadoras de nossa refutação, jamais atingindo o status de uma objeção.</p>
<p><strong><br />
 <img src='http://s0.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> Tomás de Aquino certamente modificaria grande parte das coisas que escreveu se pudesse ter acesso à lógica, à filosofia e à ciência modernas.<br />
9) Argumentar no séc. XXI com base na metafísica e na lógica escolástica é ridículo (sic).</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> concedemos apenas a hipótese a respeito da ciência. Mas e de que ciência estamos falando? Enquanto técnica, enquanto investigação, o quê? O princípio básico da ciência, por exemplo, se mantém até hoje, desde Aristóteles, por mais que uns e outros, fazendo essa mesma ciência, considerem terem negado o estagirita.<br />
No mais, tratam-se de pretensas objeções sem fundamento algum. É curioso que logo abaixo o argüente, para defender seu ponto de vista, valha-se de um princípio lógico (a navalha de Ockham) formulado justamente na escolástica e baseado em um princípio aristotélico.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><em>Sobre a proposição (3), eu *de fato* a faço – é incontornável o fato de que alguém está certo e alguém está errado. E tanto quanto é possível decodificar do festival de confusão mental no trecho da resposta que se segue, o autor afirma exatamente o mesmo que eu, embora por vias altamente tortuosas – que é inescapável que exista uma verdade necessária, e que se discordamos sobre características irrenconciliáveis da sua natureza última, um dos dois lados está inescapavalmente errado. Agora, repetidamente dizer “e essa verdade necessária é o deus cristão” é simplesmente patético, dado que “o deus cristão” envolve um grande conjunto de características que de forma alguma decorrem automaticamente do simples princípio metafísico de que é preciso haver no fundamento de tudo uma verdade necessária. Essa “verdade necessária” poderia envolver um deus, três deuses, infinitos deuses, ou zero deuses. Minha posição pessoal é que tudo indica que envolva zero deuses, não que eu negue o princípio metafísico de que a verdade, em algum nível de abstração, é necessária.</em></p>
<p><strong>10) Há uma verdade necessária, “em algum nível de abstração” (sic).</strong></p>
<p><strong> </strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> há uma verdade necessária em qualquer nível de abstração e em qualquer instância do real, do contrário nem se poderia dizer necessária.</p>
<p><strong>11) É patético (sic) afirmar que essa verdade necessária seja necessariamente Deus (o cristão).</strong></p>
<p><strong> </strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO: </span>não há absolutamente nada de patético em tal afirmação. O Deus cristão e de diversas outras religiões é o Ser necessário, sinônimo também do Inefável, do Absoluto, do Infinito, etc.<br />
O argüente demonstra uma ignorância palmar dos conceitos filosóficos tradicionais. Antes de sair distribuindo tantos adjetivos, que ao menos se estude o assunto.</p>
<p><strong>12) A verdade necessária poderia envolver qualquer coisa, desde infinitos deuses até nenhum deus.</strong><strong> </strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span><span style="color:red;"> </span>não, uma verdade necessária necessariamente envolve um só Deus. O Ser infinito é só um, por definição; não podem haver dois infinitos coexistindo, ou sequer haveria infinitude.<br />
O argüente permanece atribuindo arbitrariedade a um problema densamente investigado na história da filosofia.</p>
<p><!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<!--[endif]--></p>
<p><em>Do mesmo trecho do meu texto são “extraídas” as seguintes proposições :</em></p>
<p><em>4) Ateus em geral fundamentam seus argumentos; religiosos em geral não.<br />
5) Religiosos em geral aceitam argumentos de autoridade, tradição e revelação, enquanto um ateu os rechaça.<br />
6) A fé não é uma boa base para um sistema de crenças.</em></p>
<p><em>Novamente, o autor da reposta confunde completamente em (4) o que eu afirmo sobre *mim* como sendo algo que eu estaria afirmando sobre todos os ateus, algo que eu digo com todas as palavras que não é o caso. Mas mesmo tomando como descrição do que teria dito sobre mim, é completamente absurda. Eu não disse que os religiosos não fundamentam seus argumentos, apenas que quase a totalidade deles aceita como argumentos válidos categorias de argumentos que eu absolutamente não aceito como tal.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Novamente, não é lícito estender a posição deste ateu à de todos os ateus.<br />
2) Não foi dito que religiosos não fundamentam seus argumentos, mas sim que aceitam como válidas bases que este ateu não aceita.</strong></p>
<p style="margin:0 0 .0001pt;"><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> outra vez, o argüente negligencia o seu próprio texto, ou está lançando mão de termos amplamente equívocos: <em>Eu não aceito argumentos de autoridade, tradição ou revelação como “provas” do que seja verdadeiro. E não acho que a fé seja uma boa base para um sistema de crenças. Portanto para mim o que me distingue de um crente padrão não é eu “estar certo” tanto quanto o que eu considero um argumento aceitável para alguém defender que está certo. </em><strong> </strong></p>
<p><em>E sim, a primeira parte de (5) é não só ontensivamente e admitidamente verdadeira como em grande parte das religiões, uma exigência formal. Quando a isso ser diferente para os ateus em geral, mais uma vez – eu *não* acho que todos os ateus pensem igual a mim, e isso é um dos principais pontos do meu texto. Inúmeros ateus estão perfeitamente felizes em aceitar autoridade, tradição ou mesmo revelação, apenas divergem dos religiosos sobre quais autoridades, tradições ou revelações consideram legítimas.</em></p>
<p><em>Sobre (6), o único ponto sobre o qual o autor realmente diz algo novo, finalmente – embora mais uma vez de forma convoluta – se coloca algo que parece com um argumento que vale a pena considerar, que é o seguinte : a fé é um elemento indispensável em qualquer sistema de crenças. Esta não é uma afirmação absurda, mas sobre ela eu tenho duas observações.</em></p>
<p><em>A primeira observação é que apesar de não ser absurda, ela é falsa. É perfeitamente possível produzir todos tipo de afirmações cuja verdade é logicamente necessária sem que isso envolva qualquer tipo de fé. É perfeitamente possível ter crenças que não dependam de qualquer suposição arbitrária. Certo, é verdade que a derivações lógicas partem de conjuntos de axiomas. Porém não há nada de errado com o conjunto vazio como ponto de partida, e é simplesmente errado concluir que dele nada podemos derivar. É verdade que deste ponto de partida somente poderemos construir teorias tautologicamente equivalentes ao conjunto vazio, mas se vamos argumentar que nosso universo está fundamentado em última análise em verdades logicamente necessárias, nosso objetivo último deveria ser precisamente explicar como é possível derivar o universo inteiro do conjunto vazio – um projeto altamente ambicioso que talvez nunca seja possível realizar completamente. Mas não, a fé não é necessária para “qualquer” sistema de crenças.</em></p>
<p style="margin:0 0 .0001pt;"><strong>3) Novamente, não é lícito estender a posição deste ateu à de todos os ateus.<br />
4) É perfeitamente possível uma proposição necessária sem que ela envolve qualquer tipo de fé ou arbitrariedade.</strong></p>
<p><strong> </strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> o argüente ignora qualquer trecho da objeção que havíamos levantado, seja por desconhecimento do assunto, seja por má vontade – esta já patente em toda a sua tréplica. Resta-nos repetir nosso argumento, acrescentando algum didatismo, como já fizemos no caso da prova de Parmênides:<br />
Por mais que se afirme uma necessidade inescapável na investigação metafísica, ainda restará um último elemento não sujeito a explicação alguma, porque ele próprio é a base do conhecimento, é o ponto de partida de qualquer coisa que afirmemos: isto é, a equivalência do real em si (<em>quoad se</em>) em relação ao que se apresenta ante minha consciência (<em>quoad nos</em>). Como dissemos, há fé em crer que haja qualquer correspondência entre a mente e o que há. Não podemos <em>provar</em> esta correspondência.</p>
<p style="margin:0 0 .0001pt;">Há fé mesmo em crer que haja <em>algo</em>, pois para provar que há de fato este algo, usaríamos o próprio algo como premissa. A necessidade do Ser se nos impõe intelectualmente, como já vimos, mas em última análise essa nota cognoscitiva é um ato de fé, pois não temos nenhuma outra baliza para fundar essa necessidade. Repetindo nossas palavras da refutação anterior, “o que se afirma como <strong>verdade metafísica</strong> encontra a sua justificação no que se revela como <strong>verdade de fé</strong>”.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">Mas logo abaixo eu admito que, se chamarmos de fé toda crença não verificável logicamente, então de fato a fé é necessária para não ficarmos num atoleiro existencial.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">então o argüente confirma o nosso sentimento de que ele se contradiz diversas vezes em seu texto.<strong> </strong></span></p>
<p><em>Agora veja, o fato de que é preciso por vezes supor como verdade algo que não conseguimos estabelecer como logicamente necessário não significa então que vamos sair acreditando em qualquer coisa, ou que todos os sistemas para escolher crenças sejam equivalentes. Certo, é claro que é possível que todas as nossas percepções sejam falsas, que seja tudo um sonho, uma simulação de computador, um delírio. Do ponto de vista *estritamente* lógico, o fato de que o sol nasceu rigorosamente todos os dias desde que nascemos não torna sequer mais provável que ele vá nascer amanhã. Mas para ter uma vida que faça sentido, e tomar alguma decisão ao invés de ficar atolado num pântano metafísico, você tem que escolher acreditar em alguma coisa – por exemplo que o Sol vai de fato nascer de novo amanhã. Eu aceito este argumento. Mas não decorre daí que “então o sistema de crenças X está certo”, aliás muito pelo contrário – o que se está argumentando é precisamente que nenhum sistema de crenças desse tipo – que exija saltos de fé – é logicamente justificável.</em></p>
<p class="MsoNormal"><strong>7) É possível que todas as nossas percepções sejam falsas, que seja tudo um sonho.<br />
</strong><br />
<span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> essa é uma hipótese facilmente rejeitável. Se as sensações são contingentes, possuem uma causa. Se o sujeito é a causa, a sua vontade seria suficiente para criá-las. Mas vemos que não é assim, as coisas se contrapõe à nossa vontade o tempo inteiro. Ademais, os fatos que vemos na vigília não possuem a desordem e a incongruência do sonho. Por fim, caso criássemos inconscientemente a realidade, ela constituiria para a nossa consciência o mundo exterior, provando que ainda há algo fora de nós.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span>mas o inconsciente é parte da nossa mente.</p>
<p class="MsoNormal"><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> mas uma parte fora da consciência, algo que ilude, ludibria. A causa seria exterior de qualquer modo; cairíamos no pior idealismo solipsista.  Há sempre uma ordem rígida se opondo à nossa vontade. há alucinações, mas elas podem ser contidas, evitadas. Podemos, ao passar por elas, <strong>saber que se tratam de alucinações</strong>. Não faria sentido falar em alucinação se não se implica uma realidade exterior que nos é escondida.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> <img src='http://s0.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> Para ter uma vida que faça sentido, acreditamos na regularidade e na realidade do mundo, mas isso não quer dizer que este salto de fé esteja certo.<br />
</strong><br />
<span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> isso equivale a cair em um ceticismo absurdo.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">mas acabou de falar que em última instância nosso conhecimento se vale de uma fé primordial.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO: </span><span style="color:black;">mas, como explicamos, essa fé primordial é algo que se nos impõe, não é simplesmente uma hipótese, porque o próprio ato de hipotetizar já supõe esta mesma fé. Em outras palavras, mesmo o mais puro ceticismo assume uma fé primordial, uma certeza infalível e universal impossível de demonstrar.<strong> </strong></span></p>
<p><strong><br />
9) Estar certo é ser logicamente justificável.</strong></p>
<p><strong> </strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO: </span><span style="color:black;">há diversas ordens de certeza, não só a certeza lógica, mas também a metafísica, a ontológica, a psicológica, etc. A lógica depende de princípios que não são por si mesmos logicamente justificáveis, como os princípios da identidade, da não-contradição e do terceiro excluído.</span><br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<!--[endif]--></p>
<p><strong><br />
</strong><em>A questão é precisamente como escolher entre sistemas de crenças que, a rigor,  não podemos justificar logicamente, pelo menos não de forma necessária. E é aí que entra o princípio científico da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Occam%27s_razor">navalha de Occam</a> – não vamos sair fazendo suposições a não ser que elas acrescentem poder explicativo ao modelo que estamos construindo para buscar explicar os fatos que estamos admitindo como verdadeiros. Os modelos científicos, porém, são de fato admitidamente provisórios e injustificáveis como logicamente necessários. Isso não significa porém que sejam arbitrários. Tomar decisões lógicas com informações incompletas não garante acertos mas não é equivalente a escolher aleatoriamente. Agora, de um ponto de vista mais prático, a principal justificativa para a ciência é que ela FUNCIONA. Como já dizia Einstein, a coisa mais impressionante, maravilhosa e surpreendente sobre o universo é que é possivel entendê-lo. Enquanto a ciência nos deu reatores nucleares, naves espaciais e computadores, os modelos de como a realidade funciona baseados em teologia e similares não foram capazes de concretamente explicar, prever ou esclarecer absolutamente NADA, em nenhum nível, físico, metafísico, psicológico ou de nenhuma outra ordem. A realidade simplesmente NÃO FUNCIONA do jeito que as investigações teológicas prescrevem, descrevem ou prevêem e isso ao longo da história é repetidamente e facilmente observável. A principal função cumprida pelas crenças religiosas é criar um falso, ilusório e pernicioso conforto diante das questões para as quais se formos honestos não temos resposta satisfatória.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) A navalha de Ockham é um princípio válido para justificar logicamente um sistema em detrimento de outro.<br />
2) Os modelos científicos são provisórios e prováveis, não porém arbitrários.<br />
3) A principal justificativa para a ciência é que ela funciona: seus modelos nos forneceram diversas tecnologias.<br />
4) A filosofia tradicional nunca foi capaz de explicar, prever ou esclarecer absolutamente nada, seja na ordem física, metafísica, psicológica, etc.<br />
5) A ciência moderna, diferente da filosofia tradicional, é humilde, pois admite o erro quando suas previsões falham.</strong></p>
<p class="MsoNormal"><span style="color:blue;">NEGAÇÃO A:</span> além de ser criação de um escolástico tardio, a famosa “navalha” deriva seu fundamento do princípio da economia ontológica de Aristóteles. Como já apontamos anteriormente, é evidente a contradição do ateu ao se valer da navalha de Ockham e ao mesmo tempo dizer algo como “a filosofia tradicional nunca foi capaz de explicar, prever ou esclarecer absolutamente nada” – afirmação que já é em si mesma absurda.</p>
<p class="MsoNormal"><span style="color:blue;">NEGAÇÃO B: </span>a ciência não consegue penetrar nos <strong>primeiros princípios</strong> e primeiras conclusões. Este campo pertence à filosofia. É natural que a ciência progrida, pois seu terreno é naturalmente movediço, acidental, e não substancial, não fixo. E do que se move, muda, podemos abstrair juízos fixos, seguros, e esta é a atividade filosófica por excelência.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO a A: </span><span style="color:black;">não é que absolutamente nada da filosofia tradicional seja hoje inválido, mas sim uma grande parte. </span><span style="color:red;"><br />
OBJEÇÃO a B: </span><span style="color:black;">mas não conhecemos as coisas singulares por dedução lógica. Isso só a Ciência pode nos dar.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO a A:</span> então que o argüente decida de uma vez o que afinal quer dizer. Não é possível levar a sério tantas reinterpretações do próprio texto.<br />
<span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO a B:</span> certamente não o conheceremos, exceto pela intuição. Mas é por meio da filosofia que <strong>explicamos</strong> o fato singular – ou nem seria possível a ciência. A <em>praxis</em> da ciência seria inviável sem a segurança intelectual. Além disso, toda ciência parte de axiomas que ela própria não demonstra; este é um fundamento da epistemologia que se mantém desde os seus primórdios aristotélicos.</p>
<p><strong> </strong><br />
<em>Se formos chamar de fé qualquer crença que não pudermos estabelecer como verdade logicamente necessária, então de fato em várias circunstâncias teremos que sustentar crenças deste tipo se não quisermos ficar paralisados num atoleiro existencial. Mas isso não significa que a fé seja necessariamente a *base* do meu sistema de crenças, não no sentido de que seja o fator preponderante ou mais significativo. Se alguém for argumentar que é a fé que torna meu sistema de crenças possível, e por isso é sim a base dele, eu observo que não, ela *não* torna meu sistema de crenças logicamente justificável; de fato, nada pode fazê-lo, não no atual estágio em que estamos no entendimento da realidade. A fé é apenas um quebra-galho, um tapa-buracos para o fato de que eu não sei tudo. Mas certas suposições se revelam mais úteis e mais esclarecedoras e com maior poder preditivo do que outras, e eu acho desejável preferir essas suposições às outras. Então, nesse sentido, as suposições são completamente arbitrárias enquanto as conclusões não são, e é pelas conclusões que eu julgo a qualidade das suposições. Os religiosos tendem a inverter isso completamente e insistir em suposições engessadas e imutáveis, tomando portanto a fé como base de seus sistemas de crenças, ao invés de fazerem exatamente o oposto – escolher as suposições não justificáveis que vão fazer com base no quanto as suas conseqüências parecem ser compatíveis com a realidade de fato observada.</em></p>
<p><strong>6) Se chamarmos de fé toda crença não verificável logicamente, então de fato a fé é necessária para não ficarmos num atoleiro existencial (sic).<br />
7) Ela ser necessária para ter uma vida com um sentido não significa que ela seja a base do meu sistema de crenças.</strong></p>
<p><strong><br />
 <img src='http://s0.wp.com/wp-includes/images/smilies/icon_cool.gif' alt='8)' class='wp-smiley' /> As suposições são arbitrárias, as conclusões não.<br />
9) É pelas conclusões que julgo a qualidade das suposições.</strong></p>
<p><strong> </strong><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> um absurdo. Partimos de certezas prévias para atingir outras certezas, ou estas outras certezas descobertas jamais poderiam atingir o status de certezas, pois de onde a chamaríamos de certezas?</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">o que nos permite chamá-las de certezas é a necessidade formal da lógica.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> e como sabemos que esta necessidade formal é uma certeza? Ademais, como já apontamos logo acima, o argüente limita-se a considerar a verdade lógica.</p>
<p><em>Finalmente, o autor “extrai” do mesmo trecho do meu texto as seguinte afirmações :</em></p>
<p><em>7) Acreditar em Deus é uma posição circunstancial, não metodológica ou a priori.<br />
8 ) Para a crença em Deus se justificar, é necessária:a) a comprovação empírica de sua existência.b) uma definição que faça sentido e que apresente evidências<br />
9) Tudo o que não possui comprovação empírica é dotado de um aspeco mitológico.</em></p>
<p><em>Quanto a (8), sim, é claro que é preciso haver uma definição que faça sentido. Não dá para debater se deus existe ou não sem que se apresente uma descrição minimamente consistente sobre de quê estamos falando, algo que a maior parte dos religiosos falha completamente em fazer. Note que se formos levar a sério o fato de que o autor afirma ter “refutado” (8), ele quer então que aceitemos a existência de deus sem qualquer evidência empírica (“comprovação empírica” é uma besteira) e também sem uma definição rigorosa seguida de argumentos sólidos. E a rigor, ele está certo – a mera crença em deus não requer qualquer uma dessas coisas, assim como não o requer a crença em gnomos habitando o centro da Terra. A crença em coisas aleatórias requer apenas a vontade de acreditar.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) O autor quer que se aceite a existência de Deus sem qualquer evidência empírica e sem definição rigorosa bem fundada.</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> precisamente <strong>o contrário </strong>do que pretendemos. A proposição “Para a crença em Deus se justificar, é necessária:a) a comprovação empírica de sua existência.b) uma definição que faça sentido e que apresente evidências” está perfeita, mas ela por si <strong>não é uma objeção à posição filosófica teísta, este foi o nosso ponto</strong>. O argüente critica ferrenhamente o método de disputa aqui utilizado, mas em toda a sua tréplica não entendeu que as premissas extraídas não são tão-somente premissas refutáveis em si mesmas, mas muitas vezes pontos de partida para inverter certas posições. Quando expomos a proposição referida, foi para mostrar que <strong>de fato há uma definição do que seja Deus e de fato há provas apodíticas a seu respeito, logo a proposição não é uma objeção válida. </strong></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Quanto a (9), isso (como inúmeras outras afirmações) não tem absolutamente nada a ver com qualquer coisa que eu tenha dito.</em></p>
<p><strong>2) Nunca foi dito que tudo o que não se pode comprovar empiricamente tenha um aspecto mitológico.</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> o argüente mais uma vez passa por cima do seu texto, e aqui utilizamos palavras desta sua própria tréplica: <em>E a rigor, ele está certo – a mera crença em deus não requer qualquer uma dessas coisas, assim como não o requer a crença em gnomos habitando o centro da Terra. A crença em coisas aleatórias requer apenas a vontade de acreditar.</em><strong> </strong></p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">e mais uma vez minhas palavras foram mal interpretadas. Além disso, uma coisa como Deus não é algo passível de comprovação empírica.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> concedemos; seria absurdo pensar que Deus seja passível de comprovação empírica, pois <strong>Ele é o que sustenta a própria comprovação empírica</strong>. Ora, mais uma vez: estamos aqui falando do Ser necessário, infinito, absoluto, fundamento de toda realidade, e não de um ente qualquer, que dirá fictício.<br />
Agora, em uma comprovação empírica é preciso supor pelo menos, digamos, o princípio da identidade. Não há sequer experiência sensível sem a garantia de que as coisas sejam elas mesmas. E quem garante este princípio é o Ser necessário; o Ser nunca é falso, pois se fosse falso seria Nada, e já vimos que o Nada é impossível. A falsidade é apenas lógica. A não-identidade só existe entre entes, não nos entes em si mesmos. Por isso se diz que o mundo é um reflexo de Deus.<br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<!--[endif]--></p>
<p><em>Entre outros exemplos que eu poderia citar : eu escrevo que “se a ciência universal fosse atingida, ela nos diria se deus existe ou não” e o sujeito escreve que eu teria dito que “sem a ciência universal, é impossivel afirmar se deus existe ou não”. Eu digo A =&gt; B e o sujeito afirma que eu estou dizendo que ~A =&gt; ~B, um erro absolutamente básico de lógica que não se admitiria num estudante iniciante. E essa pessoa quer escrever uma refutação nos moldes de um debate escolástico!</em></p>
<p><strong>2) É um erro absolutamente básico (sic) de lógica que, partindo de “se a ciência universal fosse atingida, ela nos diria se deus existe ou não” se infira que “sem a ciência universal, é impossível saber se deus existe ou não”.</strong></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO:</span> como já foi dito, muitas das proposições não tomamos <strong>literalmente</strong>, restritas a si.<strong> </strong>A frase “se a ciência universal fosse atingida, ela nos diria se deus existe ou não” <strong>tomada em si </strong>de fato não permite o modal que eduzimos. Mas o texto aponta, e também toda a discussão até aqui levantada, para a crença do argüente de que <strong><span style="text-decoration:underline;">só</span> a ciência universal poderia nos dar a certeza</strong> da existência ou não de Deus. Se o argüente crê que <strong><span style="text-decoration:underline;">só</span> </strong>a ciência universal é que permite saber se Deus existe ou não, a edução que fizemos é perfeitamente válida e condizente com o texto.<br />
Como já explicamos, aqui eduzimos por vezes as proposições que <strong>fundamentam</strong> as proposições literais, tornando a refutação mais direta e mais profunda.</p>
<p><span style="color:red;">OBJEÇÃO: </span><span style="color:black;">mas a sua interpretação está errada. Este ateu não crê que só a ciência universal possa nos dar conhecimento efetivo sobre a existência ou não existência de Deus.</span></p>
<p><span style="color:blue;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> se for apontado em que parte do texto do argüente se afirmou tal coisa, então admitiremos nosso erro.</p>
<p>Termina aqui a nossa resposta à tréplica, e não iremos além disso, pois acreditamos que esta contenda já está se tornando contraproducente para os próprios leitores.</p>
<p>Obrigado.</p>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/refutatio.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/refutatio.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/refutatio.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/refutatio.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/refutatio.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/refutatio.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/refutatio.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/refutatio.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/refutatio.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/refutatio.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/refutatio.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/refutatio.wordpress.com/82/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/refutatio.wordpress.com/82/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/refutatio.wordpress.com/82/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=refutatio.wordpress.com&amp;blog=9748972&amp;post=82&amp;subd=refutatio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Refutando artigo ateu</title>
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		<pubDate>Sun, 16 May 2010 00:04:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Mal]]></category>
		<category><![CDATA[Materialismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, amigos. Depois de muito tempo, enfim voltamos à atividade. Desta vez, procuramos refutar um artigo anti-teísta de um professor de filosofia, divulgado na versão eletrônica da revista Philo. Seguiremos utilizando o mesmo método das refutações anteriores, destacando as premissas do argüente, formulando negações e possíveis objeções e rematando com tréplicas. Espero que apreciem. . [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=refutatio.wordpress.com&amp;blog=9748972&amp;post=57&amp;subd=refutatio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, amigos. Depois de muito tempo, enfim voltamos à atividade.</p>
<p>Desta vez, procuramos refutar um artigo anti-teísta de um professor de filosofia, <a href="http://www.philoonline.org/library/drange_1_2.htm">divulgado</a> na versão eletrônica da revista <em>Philo</em>.</p>
<p>Seguiremos utilizando o mesmo método das refutações anteriores, destacando as premissas do argüente, formulando negações e possíveis objeções e rematando com tréplicas. Espero que apreciem.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p><em><strong>Incompatible-Properties Arguments: A Survey by Theodore M. Drange</strong></em></p>
<p><em>1. The Perfection-vs.-Creation Argument</em></p>
<p><em>Consider the pair a-l, which takes God to be perfect and also to be the creator of the universe. It seems that those properties might be shown to be incompatible in two different ways. The first way is as follows:</em></p>
<p><em>Version 1</em></p>
<p><em>1. If God exists, then he is perfect.<a href="http://www.philoonline.org/library/drange_1_2.htm#2."><sup>2</sup><br />
</a></em><em>2. If God exists, then he is the creator of the universe.<br />
3. A perfect being can have no needs or wants.<br />
4. If any being created the universe, then he must have had some need or want.<br />
5. Therefore, it is impossible for a perfect being to be the creator of the universe (from 3 and 4).<br />
6. Hence, it is impossible for God to exist (from 1, 2, and 5).</em></p>
<p><em>Premise 3 might be challenged on the grounds that a perfect being, full of love, could desire to share his love with others. Thus, a perfect being could have a want, which would make premise 3 false. I suppose the only problem with this is that, if a being wants something that he does not have, then he cannot be perfect, for he would be in a certain way incomplete. Whether or not this adequately defends premise 3 is hard to say. There is a certain unclarity, and perhaps subjectivity, in the idea of &#8220;perfection&#8221; which poses an obstacle to any sort of rigorous reasoning about the concept.<a href="http://www.philoonline.org/library/drange_1_2.htm#3."><sup>3</sup></a></em><em> </em></p>
<p><em>Premise 4 might also be challenged. Perhaps God created the universe accidentally. For example, he &#8220;slipped and fell,&#8221; thereby creating a mess, which turned out to be our universe. In that case, God would not have had any need or want in creating the universe, and premise 4 would be false. There are difficulties with this, however. First, almost every theist who takes God to have created the universe takes it to have been done deliberately, not accidentally. And second, if the creation were accidental, then that in itself would imply that God is imperfect (since perfect beings do not have accidents), and that would be another basis for the Perfection-vs.-Creation Argument. Thus, this sort of challenge to premise 4 itself runs into problems.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><br />
<strong>1) Um ser perfeito não pode ter necessidades e desejos.<br />
2) Se um ser deseja algo que não possui (mundo criado), ele não pode ser perfeito.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃ<span style="color:#0000ff;">O A</span></span><span style="color:#0000ff;">:</span> o mundo não é criado por necessidade ou por falta (desejo), mas por pura liberdade de Deus, o Ser necessário. Deus quer a si mesmo necessariamente e quer as outras coisas por livre-arbítrio.<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO B:</span> o mundo não é criado plenamente “fora” de Deus, pois o Ser é infinito, logo não se pode dizer que Deus não “possui” o mundo. Nas teologias tradicionais, o mundo é como uma gradação interna do próprio Ser, ao mesmo tempo em que não é o próprio Ser. Podemos, <strong>sempre por analogia</strong>, dizer que o Deus “possui” o mundo em si enquanto também “não é” em si o mundo. Daí a criação.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO a A:</span> a liberdade exige escolha, e só se escolhe aquilo que não é si mesmo. Logo, Deus não pode ser o Ser simples, primordial e necessário.<br />
<span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO a B:</span> trata-se de um conceito logicamente absurdo e conceitualmente insondável.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO A:</span> Deus cria a sua própria escolha, ou sua liberdade não seria perfeita. As antigas mitologias chamavam esse estado eterno, necessário, de “Caos” justamente porque dele qualquer coisa pode surgir, é uma possibilidade infinita.<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO B:</span> reconhecemos que é de difícil compreensão, mas asseguramos que há quem o compreenda. Ademais, falando em contradições, a própria Lógica, por exemplo, depende de um Ser necessário, o qual ela não é capaz de explicar, como não pode explicar princípios auto-evidentes, como o da não-contradição, sem cair em um círculo vicioso e desenredável. A Lógica é uma ferramenta, é <strong>formal</strong>, não a própria verdade, que é sempre <strong>material</strong>. Infelizmente, através de todo o artigo o argüente insiste n’uma incompatibilidade lógica entre atributos divinos, desconhecendo que o uso deles se dá por analogia.<br />
O Ser infinito, Deus, não é um sujeito de um predicado que anteponha outro predicado: ele é o que os escolásticos chamavam de &#8220;predicado comuníssimo e simplíssimo e essencial de tudo&#8221;, isto é, sujeito de todos os atributos e atributo de todos os sujeitos, na realidade <strong>não há distinção entre sujeito e atributo</strong>, porque nada escapa ao Ser.<br />
Além disso, a deficiência de nossa razão, de nossos esquemas, não pode ser um argumento contra a existência de coisa alguma.</p>
<p>.</p>
<p><em>Version 2</em></p>
<p><em>1. If God exists, then he is perfect.<br />
2. If God exists, then he is the creator of the universe.<br />
3. If a being is perfect, then whatever he creates must be perfect.<br />
4. But the universe is not perfect.<br />
5. Therefore, it is impossible for a perfect being to be the creator of the universe (from 3 and 4).<br />
6. Hence, it is impossible for God to exist (from 1, 2, and 5).</em></p>
<p><em>The usual reply to this line of thought is that, whatever imperfections the universe may contain, they are the fault of mankind, not God. Thus, the universe was indeed perfect when God first created it, but it later became imperfect because of the actions of humans. This could be taken as an attack on the argument&#8217;s premise 3, construed to imply that what is perfect must remain so indefinitely. I shall not pursue the many twists and turns that this issue might take. It is essentially the same as what is called the &#8220;Deductive Argument from Evil,&#8221; which is a topic beyond the scope of the present survey. Let us instead move on to a new argument.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Se um ser é perfeito, ele só pode criar coisas perfeitas.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> se o Ser perfeito só pudesse criar seres perfeitos, ele derrubaria a sua própria perfeição. Não podem haver dois Seres perfeitos, dois infinitos, ou suas próprias infinitudes cairiam por terra.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> então o Ser não é onipotente.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> o argüente confunde o conceito de onipotência. Poder fazer tudo não significa poder também tornar-se imperfeito, ou aí sim é que fazer tudo implicaria em não poder fazer tudo. É um conceito absurdo, mal colocado.</p>
<p>.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>2. The Immutability-vs.-Creation Argument</em></p>
<p><em>1. If God exists, then he is immutable.</em></p>
<p><em> 2. If God exists, then he is the creator of the universe.<br />
3. An immutable being cannot at one time have an intention and then at a later time not have that intention.<br />
4. For any being to create anything, prior to the creation he must have had the intention to create it, but at a later time, after the creation, no longer have the intention to create it.<br />
5. Thus, it is impossible for an immutable being to have created anything (from 3 and 4).<br />
6. Therefore, it is impossible for God to exist (from 1, 2, and 5).</em></p>
<p><em>Premise 3 might be challenged on the grounds that the loss of an intention through the satisfaction of it is not a genuine change in a being. If a man wants something, X, and then obtains it, he has not thereby changed his attitude towards X. It is not that he once had a pro-attitude towards X but now he has a con-attitude towards it. So long as he is satisfied with X, his attitude remains unchanged. This may very well be true, but why claim that the only genuine change there can be in a being is a change in attitude? Why not allow that there can be other sorts of genuine change, and one of them is the loss of an intention through the satisfaction of it? Until some clear answer to this question is given, premise 3 seems to have some merit.</em></p>
<p><em>Premise 4 might be attacked in at least two different ways. It has been claimed that both the concept of &#8220;prior to the existence of the universe&#8221; and the concept of &#8220;God existing within time&#8221; are bogus. Time is a part or aspect of the universe itself and so there cannot be a time &#8220;before the universe.&#8221; And God is a timeless being, so the idea of God having a certain property at one time but lacking it at a later time is misguided. Since God is not within time, he cannot have properties at particular times.</em></p>
<p><em>My response to both objections is that creation is a temporal concept. This is built into the very definition of &#8220;create&#8221; as &#8220;to cause to come into being.&#8221; X cannot cause Y to come into being unless X existed temporally prior to Y. Thus, if indeed there was no time prior to the existence of the universe, then it is logically impossible for the universe to have been created. In that case, there could not possibly be a creator of the universe. And, furthermore, if indeed God does not exist within time, then he could not have been the creator of the universe, because, by the very concept of creation, if the universe was created at all, then its creator must have existed temporally prior to it. So if God, being timeless, did not exist temporally prior to anything, then God cannot have been the creator of the universe.</em></p>
<p><em>There is another objection to premise 4 which is similar to one we considered in relation to argument 1. It is that 4 would be false if the universe were created unintentionally. Again, it should be mentioned that people who believe that the universe was created also believe that it was created intentionally. But I would like to point out another possible response here. In place of the concept of intention, it would be possible to appeal to some other concept in the construction of argument 2. One candidate for that would be the concept of performing an action. In order for someone to create something, even if it is done unintentionally, the creator must perform an action, and that action must take time. Thus there must be a time during which a creator is performing a certain action and a later time (after the action has been performed) during which he is no longer performing that action. It could be argued that this, too, represents a change in the being who is performing the action. Thus, this would be another reason for maintaining that an immutable being cannot create anything (whether intentionally or not).</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Um ser imutável não pode ora ter uma intenção, ora não tê-la.</strong><strong><br />
2) A toda criação antecede uma intenção.<br />
3) Após toda criação, cessa-se a intenção que a criou.</strong><br />
<strong>4) Logo, é impossível o Ser criador ser imutável.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>como já demonstramos, Deus é Ato Puro, infinito, o agente primordial totalmente livre. Sendo a criação eterna (ver logo abaixo), será também eterna a sua intenção. A intenção (vontade) <em>é o próprio </em>Ato Puro, se identifica com ele, como, aliás, se identificam todos os atributos divinos.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> mas esse conceito de vontade não condiz com a nossa experiência da vontade.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> e nem haveria mesmo de condizer. Só dizemos que Deus “quer” por analogia. Nada que atribuirmos a Deus será unívoco. É por isso que o chamam de “o Inefável”.<br />
Assim, também dizemos que Deus “quer eternamente”. Ser é também querer. Somente em nós, seres imperfeitos e compostos, é que vontade, inteligência e outros atributos se desassociam e se distinguem realmente.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>5) A criação é um conceito temporal, porque a causação exige temporalidade.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> causação envolve primariamente <strong>dependência</strong>, não temporalidade. A dependência é que implica anterioridade e posterioridade, <strong>não só na ordem cronológica</strong>, como também na ordem lógica, axiológica, ontológica, entre outras. O Ser antecede <strong>metafisicamente</strong> o Nada, pois o Nada tem de ser nada de alguma coisa, depende do Ser – por isso se diz que o Ser supremo é <strong>incausado</strong>, pois não depende de nada exceto de si mesmo para ser.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> a causa eficiente ainda exige prioridade cronológica.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> a causa eficiente da Criação só exige prioridade de <strong>natureza</strong>, pois o próprio tempo <strong>depende</strong> do Ser, ou o tempo seria necessário, isto é, infinito. Mas o infinito temporal incorre em diversas aporias, como a própria aniquilação da antecedência e da conseqüência, e por conseguinte uma absurda contemporaneidade de todos os efeitos, entre outros problemas que não trataremos aqui.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>6) Se não havia tempo antes do universo, é logicamente impossível que este tenha sido criado.<br />
7) Se Deus não existe no tempo, não pode ser dito antecedente do universo, logo não pode tê-lo criado.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO A:</span> as coisas criadas tiveram um começo, mas a Criação não. A antecedência do Ser primeiro é <strong>transcendente</strong>, não imanente. O mundo é criado não cronologicamente, mas <strong>axiologicamente</strong>. Na teologia, se diz que a criação é <strong>co-eterna</strong>, ou, como diziam os escolásticos, <em>ab aeterna</em>. A criação deve ser entendida como uma “derivação”, assim como o gênero <em>corpo</em> “cria” o gênero <em>planeta</em> e o gênero animal “cria” a espécie <em>homem</em>.<span style="color:#0000ff;"><br />
NEGAÇÃO B:</span> Deus é antecedente <strong>metafísico </strong>(transcendente) do universo, não temporal. O próprio tempo só surgiu na Criação.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO a A:</span> se a criação é “derivativa” e não “temporal”, então caímos no panteísmo, pois tudo é Deus, porque são graus do Ser.<br />
<span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO a B: <span style="color:#000000;">se a criação se dá pelo Ser, o Ser vê a criação temporalmente.</span><br />
</span></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO A:</span> o Ser não é unívoco, mas análogo, isto é, nada criado por ele pode se identificar com ele, ou haveria fusão. Os seres criados são seres <em>em si</em> (são unidades, finitudes), mas não o são <em>por si</em> (pois suas unidades <em>são</em>, isto é, dependem de Ser necessário e infinito).<br />
A concepção materialista (atéia), por sua vez, é que realmente só considera a imanência das coisas, levando a admitir o absurdo de um infinito temporal estático que num dado instante de repente mudou e causou a heterogeneidade das coisas. No panteísmo é que a imutabilidade divina fica comprometida, não no criacionismo.<span style="color:#0000ff;"><br />
NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO B: </span>o tempo só tem realidade para nós, e diante da eternidade de Deus ele se esvai. O que é, <strong><em>é</em></strong>; o que muda, <strong><em>acontece</em></strong>.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>7) A criação implica ação, e ação implica temporalidade, logo um Deus criador não é imutável.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>como já vimos, ação só implica temporalidade no <strong>devir</strong>, no mundo, não na ordem metafísica. O criar divino não é o fazer de uma coisa uma outra coisa, mas do nada fazer algo – daí <em>creatio ex nihilo</em>. Como demonstrou Aquino, a criação é a <strong>primeira ação</strong> (<em>prima actio</em>) que se pode exercer sobre qualquer ser – antes de um ente ser qualquer coisa, ele <strong><em>é</em></strong>. Toda outra ação já supõe o ser existente de algum modo. Não há ação criadora “intermediária” entre Deus e o mundo. Tudo isso é erro de ficção, uso indevido da linguagem, que é incapaz de expressar um começo ou não-começo absolutos.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO: </span>de qualquer forma, a ação implica uma mudança no agente.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>não, porque o Ser enquanto agente tem o fim em si mesmo. O “modelo” divino é <strong>um e</strong> <strong>si mesmo</strong>, pois se ele se dirigesse a outra coisa, haveria outro Ser que não ele, o que, já vimos, é absurdo. O operar e o ser das coisas se dão <strong>no</strong> próprio Ser (transcendência + imanência, como também já ressaltamos). O infinito em si não muda, ele modifica-se &#8220;internamente&#8221; de forma infinita.</p>
<p>.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>3. The Immutability-vs.-Omniscience Argument</em></p>
<p><em>1. If God exists, then he is immutable.<br />
2. If God exists, then he is omniscient.<br />
3. An immutable being cannot know different things at different times.<br />
4. To be omniscient, a being would need to know propositions about the past and future.<br />
5. But what is past and what is future keep changing.<br />
6. Thus, in order to know propositions about the past and future, a being would need to know different things at different times (from 5).<br />
7. It follows that, to be omniscient, a being would need to know different things at different times (from 4 and 6).<br />
8. Hence, it is impossible for an immutable being to be omniscient (from 3 and 7).<br />
9. Therefore, it is impossible for God to exist (from 1, 2, and 8).</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Onisciência é saber coisas distintas em tempos distintos. Logo, um ser imutável não pode ser onisciente.<br />
2) Onisciência é saber coisas sobre o passado e o futuro.<br />
</strong><strong>3) Passado e futuro estão sempre mudando, logo um ser onisciente teria que conhecer coisas distintas em tempos distintos. (volta à 1)</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> o argüente compreende mal o conceito de onisciência. Ser onisciente não é saber coisas distintas em tempos distintos, mas conhecê-las <strong>fusionalmente</strong>, a um só tempo, em um só ato (puro). A eternidade não tem partes, é um todo.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> essa é uma noção obscura de conhecimento. Conhecer é distinguir.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> precisamente; <strong>para o homem</strong>, conhecer é distinguir. É claro que nós, sendo seres imperfeitos, necessariamente conhecemos as coisas enquanto localizadas no tempo e no espaço, através de relações, etc. Já na ordem divina, na ordem do Ser, deve haver plena identificação, pois o ser é <strong>eterno</strong>. Mais uma vez; o Ser é necessário, infinito e simples; está em tudo, embora tudo não seja o Ser.</p>
<p>.</p>
<p><em>The usual place at which this argument is attacked is its premise 4. It is claimed that a timeless being can know everything there is to know without knowing propositions about the past and future. Consider the following two propositions as examples:</em></p>
<p><em>A. The origin of the planet Earth is in the past.<br />
B. The end (or destruction) of the planet Earth is in the future.</em></p>
<p><em>The claim is that a timeless being need not know propositions A and B in order to know everything there is to know, because such a being could know the exact dates of both the origin and the end of the earth and that would suffice for complete knowledge. That is, A and B would be &#8220;covered,&#8221; and so it would not be necessary for the omniscient being to know A and B in addition to those dates.</em></p>
<p><em>But, of course, this claim can be challenged. To know the dates of the origin and the end of the earth does not entail knowing propositions A and B. To know A and B requires being situated within time (somewhere between the origin and end of the earth), so they are not anything that a timeless being could know. However, they certainly are things that an omniscient being must know. Thus, the given objection to premise 4 of the argument above is a failure.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) O conhecimento onisciente não é capaz de conhecer conceitos temporalmente relativos, pois não está no tempo, logo não conhece tudo.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> todo relativo só é relativo a um absoluto. A causa do ente é o Ser. Toda antecedente causal possui inerentemente quaisquer das suas conseqüentes. Assim, o Ser absoluto possui todo o conhecimento que possa haver nos seres relativos.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> mas o conhecimento relativo enquanto relativo o Ser não pode ter, ou se tornaria relativo.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> mas a própria relação <strong>é ser</strong>. Lembremos sempre: <strong>nada </strong>escapa ao Ser, por mais inconcebível <em>materialmente</em> que seja tal noção. O mundo acontece <strong>no </strong>Ser sem jamais mudá-lo, como o relativo implica necessariamente o absoluto e jamais o muda.</p>
<p>.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>4. The Immutability-vs.-All-Loving Argument</em></p>
<p><em>1. If God exists, then he is immutable.<br />
2. If God exists, then he is all-loving,<br />
3. An immutable being cannot be affected by events.<br />
4. To be all-loving, it must be possible for a being to be affected by events.<br />
5. Hence, it is impossible for an immutable being to be all-loving (from 3 and 4).<br />
6. Therefore, it is impossible for God to exist (from 1, 2, and 5).</em></p>
<p><em>To be affected is to be changed in some way, so premise 3 is pretty much true by definition. Premise 4 might be challenged, but when the nature of love is contemplated, it is seen that 4 must also be true. The concept of love that is relevant here is that of agape, which is the willingness to sacrifice oneself for the sake of others. If events were to call for some sacrifice on God&#8217;s part, then, to be loving in the relevant sense, he must go ahead and perform the sacrifice. Since that requires being affected, the truth of premise 4 is assured.</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><br />
<strong>1) Um ser imutável não pode sofrer afecções.<br />
2) Um ser todo-amoroso deve poder sofrer afecções.</strong><strong><br />
3) O amor de Deus é agápico; a criação exige o seu sacrifício, logo Deus sofre afecção.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO A:</span> mais uma vez, o argüente incorre no erro de atribuir univocamente um predicado necessariamente <strong>análogo</strong>. Na teologia, se diz que Deus “quer o bem” de todas as coisas no sentido de que <strong>dá o seu Ser</strong> a todas as coisas, isto é, nenhuma criatura (Ser relativo) pode existir sem a “ação amorosa” (antecedência necessária e criadora) de Deus (o Ser absoluto).<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO B:</span> o Ser necessário não é um “objeto ‘outro’” que possa sofrer afecções. Ele é o próprio fundamento de toda e qualquer afecção. É o Ato Puro de Aquino, pura eficiência, jamais cessa e jamais busca uma potência, jamais muda. Mário Ferreira dos Santos já dizia que o ateísmo se deve fundamentalmente a uma má colocação do conceito de Deus; Deus não é um Ser poderosíssimo e regente do mundo – Ele <strong>é o próprio Ser</strong>. As coisas não se dirigem a Ele, mas Ele próprio dirigindo-se a si mesmo é que cria as coisas.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO a A:</span> mas, nesse sentido, podemos dizer que Deus “ama” também o “mal”, pois a imperfeição não pode existir sem a perfeição.<br />
<span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO a B: </span>mas se ele não muda, não pode criar.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO a A:</span> não se dá positividade a uma privação. O que falta a uma coisa é um mal <strong>para aquela coisa</strong>, mas não <strong>em si</strong>. Só falta algo a alguma coisa por ela ser imperfeita e também por haver outras coisas imperfeitas dividindo com ela o devir. Mal é carência de bem. O mal não é, assim, um argumento contra Deus, mas a seu favor – é preciso que haja Deus para haver o mal. Se o mal corrompesse totalmente o bem, o mal também desapareceria – seria como o Ser aniquilar a si mesmo, um absurdo.<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO a B:</span> já devidamente refutado.</p>
<p>.</p>
<p><em>5. The Transcendence-vs.-Omnipresence Argument</em></p>
<p><em>1. If God exists, then he is transcendent (i.e., outside space and time).<br />
2. If God exists, then he is omnipresent.<br />
3. To be transcendent, a being cannot exist anywhere in space.<br />
4. To be omnipresent, a being must exist everywhere in space.<br />
5. Hence, it is impossible for a transcendent being to be omnipresent (from 3 and 4).<br />
6. Therefore, it is impossible for God to exist (from 1, 2, and 5).</em></p>
<p><em>The usual place at which this argument is attacked is premise 3. It is claimed that to transcend space does not entail being totally outside space. A being could be partly inside space and partly outside. Consider the Flatland analogy: a three-dimensional object transcends Flatland, and yet it exists within the Flatland dimensions (as well as outside). So, God could be like that. He exists within space (and, indeed, everywhere in space!) but he also exists outside space, the latter feature being what warrants calling him &#8220;transcendent.&#8221;</em></p>
<p><em>My only objection here is that the Flatland analogy does not quite make the idea of transcendence intelligible. We understand perfectly well how a three-dimensional object might &#8220;transcend&#8221; Flatland while still being (partly) within it. However, this is still talking about objects in space. To try to extend the analogy so as to talk about something that is &#8220;outside space as well as within it&#8221; is unsuccessful. That is something that we are totally unable to comprehend. In the end, the very concept of transcendence that is appealed to here is incoherent. This illustrates the point that defenses against incompatible-properties arguments may very well lead to incoherence or other objections to theism.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Um ser transcendente não pode existir em lugar algum do espaço (isto é, um ser transcendente não pode ser imanente).<br />
2) Um ser onipresente deve existir em todo espaço (isto é, deve ser plenamente imanente).</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> o ser que seja <strong>somente</strong> transcendente de fato não poderia existir em lugar algum do espaço. Mas o Ser necessário é tanto transcendente quanto imanente, como já destacamos. O mundo não é o Ser, isto é, este lhe transcende, ao mesmo tempo que o mundo está no Ser, pois não poderia haver dois Seres infinitos, e qualquer abismo que houvesse entre ambos necessariamente seria suplantado por um Ser superior, que fatalmente seria o verdadeiro Ser necessário.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO: </span>mas unir transcendência e imanência é uma contradição inabarcável.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO: </span>não negamos, até porque pertencem a uma ordem real que nos ultrapassa. Mas se trata de uma constatação metafisicamente necessária, ou cairemos em infindáveis aporias, com as quais sofrem o politeísmo, o dualismo, o materialismo, o panteísmo, entre outros.<br />
De todo modo, diga-se que as religiões tradicionais confiam em haver homens capazes de uma iluminação superior que permita-lhes algum vislumbre de tais realidades divinas.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p>.</p>
<p><em>6. The Transcendence-vs.-Personhood Argument</em></p>
<p><em>1. If God exists, then he is transcendent (i.e., outside space and time).<br />
2. If God exists, then he is a person (or a personal being).<br />
3. If something is transcendent, then it cannot exist and perform actions within time.<br />
4. But a person (or personal being) must exist and perform actions within time.<br />
5. Therefore, something that is transcendent cannot be a person (or personal being) (from 3 and 4).<br />
6. Hence, it is impossible for God to exist (from 1, 2, and 5).</em></p>
<p><em>Again, premise 3 might be challenged on the grounds that a transcendent being could be both partly inside time and partly outside time, with the latter feature being what warrants the label &#8220;transcendent.&#8221; That is, God is said to perform actions within time but also to have a part or aspect that extends outside time. However, this notion of &#8220;partly inside time and partly outside&#8221; is definitely incoherent. No one has a clue what that might mean. To pursue such a line of thought might evade the charge of &#8220;incompatible properties,&#8221; but it leads directly to the charge of incoherence, which is just as bad, if not worse.</em></p>
<p><em>Closely related to the concept of personhood is the concept of being free, which is property (h) on our list. An argument similar to 6, above, one which might be called the &#8220;Transcendent-vs.-Free Argument,&#8221; could be constructed, pitting property (c) against property (h). In its corresponding premise 4, the point would be made that, in order for a being to be free, it must exist and perform actions within time. Otherwise, there would be no way for any freedom to be manifested. Almost all theists, it should be noted, accept the idea that God is a free agent, and thus are inclined to say of him that he (at least occasionally) performs actions within time. If they call God &#8220;transcendent&#8221; at all, then they would aim to attack premise 3 of the arguments in question, not premise 4. Of course, as pointed out above, to attack premise 3 leads one to make incoherent statements, so such a maneuver cannot be regarded to be successful.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Um ser transcendente não pode executar ações, pois não existe no tempo.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>já refutado.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>2) Se Deus é uma pessoa, ele não pode ser transcendente.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> já tratamos do assunto. O argüente utiliza os atributos de forma unívoca, e não análoga, diferente do que faz a Teologia. Dizemos que Deus é uma pessoa n’um sentido poético; da sua perfeição total e plena irradia ao eixo antropológico da realidade (ao “olhar humano, vivencial” sobre o mundo) a perfeição de atributos “morais” como inteligência, sabedoria, amor, vontade e personalidade. Ao entender, por exemplo, que a justiça é uma <strong>perfeição</strong> humana, a religião afirma que no Ser, máxima perfeição e fundamento de todas as perfeições, ela existe no maior grau possível, ou seja, que “Ele é todo-justo”. Na Teologia, essa “imagem” não é uma semelhança qualquer, mas como a que há entre efeito e causas. <strong>Se a fotografia é semelhante ao homem, o homem não é semelhante à fotografia</strong>.<br />
Assim como Deus também tem atributos metafísicos, isto é, que não dizem respeito ao Homem, como a simplicidade, a perfeição, a infinitude, a ubiqüidade, etc, mas que efetivamente pouco podem dizer sobre Ele, o Inefável.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> tais atribuições não são então filosóficas, mas tão-somente poéticas, carecem de precisão, de rigor analítico, e de nada servem.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> é claro que servem, ou jamais se teriam consagrado. Isto é, os <strong>símbolos</strong> possuem em potência a inteligibilidade do ser, porque todo ente é necessariamente <strong>símbolo</strong> do Ser, aponta para ele de algum modo. É assim, inclusive, que se forma a linguagem. De símbolos, partimos para abstrações, e cunhamos novos termos. Da mesma forma, das perfeições conhecidas em nosso viver, partimos para as perfeições eternas de Deus, buscando abarcar o máximo possível aquilo que é por si só inabarcável <strong>totalmente</strong>. Para termos <strong>pleno</strong> conhecimento, não só de Deus, como de <strong>qualquer coisa</strong>, somente através da fusão. <strong>Sei</strong> que meu pai é homem, é pai, é um, é ente, etc, mas jamais saberei <strong>plenamente</strong> o que ele é.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>3) Para ser livre, um ser deve necessariamente existir no tempo de modo a executar ações.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>já devidamente refutado.</p>
<p>.</p>
<p><em>7. The Nonphysical-vs.-Personal Argument</em></p>
<p><em>1. If God exists, then he is nonphysical.<br />
2. If God exists, then he is a person (or a personal being).<br />
3. A person (or personal being) needs to be physical.<br />
4. Hence, it is impossible for God to exist (from 1-3).</em></p>
<p><em>Premise 3 has been advocated by Kai Nielsen, who wrote: &#8220;we have no understanding of &#8216;a person&#8217; without &#8216;a body&#8217; and it is only persons that in the last analysis can act or do things.&#8221;<a href="http://www.philoonline.org/library/drange_1_2.htm#6."><sup>6</sup> </a></em><em>But not all nontheists would accept premise 3. One who does not is J. L. Mackie.<a href="http://www.philoonline.org/library/drange_1_2.htm#7."><sup>7</sup></a></em><em> This argument turns on the issue of whether the idea of a &#8220;bodiless person&#8221; is consistent and coherent. That is a difficult and highly controversial issue, and I shall not pursue it here in this survey.<a href="http://www.philoonline.org/library/drange_1_2.htm#8."><sup>8</sup></a></em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Todo ser pessoal precisa necessariamente ser físico, logo Deus não pode ser pessoa.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> já devidamente refutado.</p>
<p>.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>8. The Omnipresence-vs.-Personhood Argument</em></p>
<p><em>1. If God exists, then he is omnipresent.<br />
2. If God exists, then he is a person (or a personal being).<br />
3. Whatever is omnipresent cannot be a person (or a personal being).<br />
4. Hence, it is impossible for God to exist (from 1-3).</em></p>
<p><em>The point of premise 3 is similar to that for the previous argument. When we contemplate what it means to be a person (or a personal being), we see that it conflicts with being omnipresent. What sorts of things might be omnipresent, anyway? Perhaps a gravitational field would serve as an example. They would all appear to be items in a different category from persons, so to try to assimilate them would be to commit a category mistake. Persons can no more be omnipresent than they can be odd or even (in the mathematical sense).</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Nenhum ser pessoal pode ser onisciente.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>já devidamente refutado.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p>.</p>
<p><em>9. The Omniscient-vs.-Free Argument</em></p>
<p><em>1. If God exists, then he is omniscient.<br />
2. If God exists, then he is free.<br />
3. An omniscient being must know exactly what actions he will and will not do in the future.<br />
4. If one knows that he will do an action, then it is impossible for him not to do it, and if one knows that he will not do an action, then it is impossible for him to do it.<br />
5. Thus, whatever an omniscient being does, he must do, and whatever he does not do, he cannot do (from 3 and 4).<br />
6. To be free requires having options open, which means having the ability to act contrary to the way one actually acts.<br />
7. So, if one is free, then he does not have to do what he actually does, and he is able to do things that he does not actually do (from 6).<br />
8. Hence, it is impossible for an omniscient being to be free (from 5 and 7).<br />
9. Therefore, it is impossible for God to exist (from 1, 2, and 8).</em></p>
<p><em>Premise 6 says that a free agent can do what he doesn&#8217;t do. That may sound odd at first, but when it is understood correctly, it seems correct. Suppose we identify what Y does as &#8220;act Z.&#8221; Then in order for Y to be free, prior to doing Z, it must have been possible for Y to do Z and it must also have been possible for Y not to do Z. If it were not possible for Y not to do Z, then Y&#8217;s doing of Z could not be regarded as a free act. Free acts are avoidable. You can&#8217;t be free if you had to do the thing that you did. This seems intuitively right, though some forms of compatibilism might reject it. It is not a totally settled issue in philosophy. I leave it to the reader to ascertain whether or not premise 6 is correct. If it is, then I think the argument goes through.</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Um ser onisciente conhece todas as suas ações em qualquer tempo.<br />
2) É impossível para o ser onisciente não fazer o que já sabe que fará.<br />
</strong><strong>3) É impossível para o ser onisciente fazer o que já sabe que não fará.<br />
4) Logo, toda ação do ser onisciente é necessária.<br />
5) Logo, o ser onisciente não pode ser livre.<br />
</strong><strong>6) Liberdade é poder não fazer o que se faz, isto é, é o contrário do ato necessário.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> o próprio Ser <strong>em si mesmo</strong> é necessário, mas a sua <strong>ação</strong> é plenamente livre, como já mostramos no princípio deste exercício de refutação. O absoluto em si é necessário, os relativos não.</p>
<p>.</p>
<h2><em> </em></h2>
<p><em>10. The Justice-vs.-Mercy Argument</em></p>
<p><em>1. If God exists, then he is an all-just judge.<br />
2. If God exists, then he is an all-merciful judge.<br />
3. An all-just judge treats every offender with exactly the severity that he/she deserves.<br />
4. An all-merciful judge treats every offender with less severity than he/she deserves.<br />
5. It is impossible to treat an offender both with exactly the severity that he/she deserves and also with less severity than he/she deserves.<br />
6. Hence, it is impossible for an all-just judge to be an all-merciful judge (from 3-5).<br />
7. Therefore, it is impossible for God to exist (from 1, 2, and 6).</em></p>
<p><em>I have heard it said by Christians that the way God judges offenders depends on whether or not they are true believers. If they are, then he is lenient with them, but if they are not, then he treats them with exactly the severity they deserve (which can be pretty bad). By this Christian way of speaking, God is said to be both an all-just and an all-merciful judge. He is all-just in giving everyone an equal opportunity to become a true believer and thereby come to receive leniency, but he is also all-merciful in that every true believer, without exception, receives mercy. This way of viewing matters would be an attack on both premise 3 and premise 4, above.</em></p>
<p><em>I would respond by maintaining that premises 3 and 4 come closer to capturing ordinary language than the given Christian way of speaking. According to the latter, God treats some offenders more leniently with regard to what they deserve than he does other offenders. It does not seem that such a judge would (or should) be called &#8220;all-just.&#8221; And similarly, since he does not treat all offenders less severely than they deserve, he would not (and should not) be called &#8220;all-merciful&#8221; either. Instead of being both all-just and all-merciful, the Christian God, as described, would be neither.</em></p>
<p><em>As with many of the previous attacks on the incompatible-properties arguments, this one turns on semantical issues. In a sense, it is all a matter of semantics, for the issue of whether or not certain property ascriptions conflict with certain other property ascriptions depends very much on what exactly they mean. Theists could defend against the arguments by denying that the property terms in question mean what the proponents of the arguments claim they mean. Often such denials lead to still other difficulties for the theist. A full presentation and defense of incompatible-properties arguments should explore such implications and fully pursue the many issues, whether semantical or not. That project is beyond the scope of the present essay.</em></p>
<p><em>My aim was simply to survey several of the more common (and a few not so common) incompatible-properties arguments for the nonexistence of God. Just which of those arguments are sound and which of them are most effective in discussions and debates with theists are further issues that are certainly worth pursuing.</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Proposições contidas:<br />
1) Um Deus todo justo trata cada um com a severidade que merece.<br />
2) Um Deus todo misericordioso trata cada um com menos severidade do que merece.<br />
</strong><strong>3) Logo, um Deus todo justo não pode ser um Deus todo misericordioso.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> mesmo problema anterior de atribuir univocamente predicados a Deus, mas aqui podemos nos aprofundar mais. A teologia diz que Deus é justo porquanto ele ordena <strong>cada ente à sua perfeição</strong>,<strong> ao seu fim próprio</strong>. Podemos assim traduzir o termo “severidade” como inexpugnabilidade da lei do Ser, que sempre age, e em toda parte. Mas, enfim, “severidade” e “misericórdia” são termos mais apropriados ao eixo antropológico; assim, quando um homem age, acontece-lhe algo, e este algo deveria ocorrer inexpugnavelmente. Se a conseqüência última lhe for agradável, se dirá que Deus foi “misericordioso”, se danosa, se dirá que Deus foi “severo”. <strong>De toda forma, Deus foi justo</strong>; a severidade ou misericórdia dependerá do agente e da situação. Resta ao homem, no seu afã pela verdade divina, buscar compreender quando tudo levará para caminho da misericórdia e quando tudo levará para o caminho da severidade. Ainda assim, é claro, o desígnio divino continuará para sempre insondável, devido à própria natureza do Ser infinito e da variância impressionante do mundo.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO: </span>então Deus é relativo, age de acordo com a situação.</p>
<p><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> </span>como já dissemos, essa relação, a distinção entre severidade e misericórdia, só existe do ângulo do <strong>homem</strong>. Que não se insista mais na univocidade dos atributos. Ao falar de Deus, usemos analogias. Ou melhor, nos calemos.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>Encerramos aqui nossa refutação.</p>
<p>Pretendemos traduzir este post e enviá-lo ao autor do artigo, e, se lhe couber responder às objeções, publicaremos aqui.</p>
<p>Obrigado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/refutatio.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/refutatio.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/refutatio.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/refutatio.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/refutatio.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/refutatio.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/refutatio.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/refutatio.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/refutatio.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/refutatio.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/refutatio.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/refutatio.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/refutatio.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/refutatio.wordpress.com/57/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=refutatio.wordpress.com&amp;blog=9748972&amp;post=57&amp;subd=refutatio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Refutando o pensamento gramsciano</title>
		<link>http://refutatio.wordpress.com/2009/10/19/refutando-o-pensamento-gramsciano/</link>
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		<pubDate>Mon, 19 Oct 2009 16:07:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[gramsci]]></category>
		<category><![CDATA[gramscismo]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[Materialismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, pessoal. Publicamos hoje uma refutação formulada pelo Álvaro Costa, amigo de internet e colaborador intelectual em outros projetos. O texto que ele apresenta é de uma matiz um pouco distinta das refutações que aqui expomos, mas também se inspira no método escolástico, opondo uma série de teses e contra-teses sobre tópicos-chave do seu opositor, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=refutatio.wordpress.com&amp;blog=9748972&amp;post=51&amp;subd=refutatio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, pessoal.</p>
<p>Publicamos hoje uma refutação formulada pelo <strong>Álvaro Costa</strong>, amigo de internet e colaborador intelectual em outros projetos.</p>
<p>O texto que ele apresenta é de uma matiz um pouco distinta das refutações que aqui expomos, mas também se inspira no método escolástico, opondo uma série de teses e contra-teses sobre tópicos-chave do seu opositor, de forma a tornar a refutação a mais límpida e direta possível. Uma clara diferença entre nossas tentativas e a dele é a de que prezamos pelo deslinde de opiniões aparentemente “inofensivas” e superficiais de comentaristas, escritores e blogueiros, enquanto o Álvaro, em seu esforço, fez questão de atacar o bojo filosófico de uma figura de destaque do século XX.</p>
<p>O seu alvo é Antonio Gramsci, cientista político conhecido por liderar o Partido Comunista da Itália na década de 20 e por incubar a idéia de marximo cultural, movimento importante na configuração da cultura contemporânea do Ocidente, segundo a atual crítica da direita.</p>
<p>Feita esta breve preliminar, segue o texto logo abaixo, contendo também a sua própria introdução. Apreciem.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align:right;"><em>Álvaro Antonio Costa</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Qual a substância da filosofia em Antonio  Gramsci?</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Nota introdutória:</strong> gostaria de dizer aos amigos do blog <em>Refutatio </em>que este texto passou anos circulando na internet e, até hoje, não foi questionado por ninguém. Já houve, por parte de um sujeito que se dizia sociólogo, cientista político e professor doutor na obra de Antonio Gramsci, a ameaçadora promessa de se fazer uma análise aprofundada dos meus comentários e desmascará-los. Mas se passaram três revoluções solares e os abalizados comentários nunca vieram. O que se sucedeu foi apenas a conduta criminosa de tal interlocutor ao ter forjado uma série de títulos acadêmicos e ter praticado o gênero mais popular da “filosofia” brasileira, que é o estelionato intelectual. O sujeito mostrou-se um digníssimo e honroso caso de polícia. O que não deixa de ser simbólico em se tratando do pensamento de Antonio Gramsci e da perspectiva marxista em si, que é pura apologia do crime, a mais formidável “filosofia de bandidos” que já se teve notícia desde a remota origem do universo.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Teses gramscianas</strong></p>
<p>A partir do malfadado livro <em>Concepção Dialética de História</em> de <strong>Antonio Gramsci</strong>, defino as seguintes <strong>teses</strong> como o pressuposto de um conceito gramsciano de filosofia:</p>
<p>1) Gramsci não separa a Filosofia da História da Filosofia. A reflexão filosófica parte da consciência da historicidade dos processos sociais.</p>
<p>2) Gramsci não vê validade num projeto filosófico universal e prefere falar em filosofias particulares. A filosofia não é um movimento autônomo do pensamento.</p>
<p>3) A filosofia só se torna filosofia na medida em que busca desenvolver uma cultura especializada.</p>
<p>4) A unidade entre teoria e prática, proporcionada pela filosofia da práxis, não ocorre mecanicamente, mas pelo <em>devir</em> que estabelece os campos do filosofar e do agir.</p>
<p>5) Cabe aos intelectuais, como agentes culturais, superar o mecanismo que obstrui a relação entre teoria e prática e acelerar o ativismo que vai realizar o projeto filosófico.</p>
<p>6) Existe uma igualdade indiscernível, porém perceptível, entre filosofia e política. A única filosofia é a História em ato, ou seja, a própria vida humana.</p>
<p>7) A ideologia é distinta da estrutura sociológica, e forma o bloco histórico que, muitas vezes, se confunde com o próprio homem em sua realidade social.</p>
<p>.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A substância da filosofia gramsciana</strong></p>
<p>Diante disso, eu pergunto: qual a substância da filosofia em Gramsci? Substância compreendida no sentido aristotélico de essência necessária e singularidade existente.</p>
<p>Ou: qual a ontologia própria da filosofia para que se estabeleça a tensão essencial com o ato de filosofar, que em Gramsci é exclusivamente histórico?</p>
<p>Infelizmente, sou levado por mera dedução lógica a pensar que, em Gramsci, não existe filosofia nenhuma; não que o comunista italiano tenha sido incapaz de realizá-la, ele simplesmente não acreditava na existência da filosofia e na possibilidade do surgimento de um projeto filosófico.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Refutação</strong></p>
<p>Para tornar mais explícitas as objeções que faço a Gramsci, levantarei uma CONTRA-TESE a cada TESE sua.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">TESE 1: </span>Gramsci não separa a Filosofia da História da Filosofia. A reflexão filosófica parte da consciência da historicidade dos processos sociais.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">CONTRA-TESE 1:</span> Se a filosofia parte da consciência da historicidade dos processos sociais e ela mesma (a filosofia) é histórica, então o filosofar nunca tenderia a transcender seu próprio tempo histórico. Deste modo, não há História, simplesmente.</p>
<p>.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">TESE 2:</span> Gramsci não vê validade num projeto filosófico universal e prefere falar em filosofias particulares. A filosofia não é um movimento autônomo do pensamento.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">CONTRA-TESE 2:</span> Se a filosofia não é um movimento autônomo do pensamento é porque depende de um outro ser para existir ou ser definida, então a filosofia existe como mero predicado ou acidente de uma substância. Logo, a filosofia não existe em si mesma, é uma mera extensão de um outro processo implícito.</p>
<p>.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">TESE 3:</span> A filosofia só se torna “filosofia” na medida em que busca desenvolver uma cultura especializada.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">CONTRA-TESE 3:</span> Se a filosofia é especialização, não existe diferença entre ciência e filosofia e esta é incapaz de promover a unidade do conhecimento. Desta forma, a filosofia não tem utilidade nenhuma e deveria ser absorvida pelos métodos científicos.</p>
<p>.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">TESE 4:</span> A unidade entre teoria e prática, proporcionada pela filosofia da práxis, não ocorre mecanicamente, mas pelo <em>devir</em> que estabelece os campos do filosofar e do agir.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">CONTRA-TESE 4:</span> Se o devir estabelece o campo do filosofar, isto indica que o filosofar não pode vir antes do devir. Se a filosofia cria uma civilização e um outro devir, é sinal que a própria filosofia é o devir e o próprio devir é a filosofia. Como pode o devir existir antes dele mesmo? Se for um outro devir inicial e um outro conjunto de causalidades que afetam o devir atual, deve-se discutir o “a priori” e o “a posteriori”, coisa que Gramsci nunca fez.</p>
<p>.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">TESE 5:</span> Cabe aos intelectuais, como agentes culturais, superar o mecanismo que obstrui a relação entre teoria e prática e acelerar o ativismo que vai realizar o projeto filosófico.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">CONTRA-TESE 5:</span> Se o devir histórico pode ser acelerado, e se acelerá-lo é o dever dos intelectuais, então o projeto filosófico se realiza neste devir acelerado e não no campo do esforço intelectual individual. A coletividade histórica é filosófica, o indivíduo não. Rasguem-se as Histórias das Filosofias, pois que Gramsci escreveu uma nova e definitiva.</p>
<p>.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">TESE 6:</span> Existe uma igualdade indiscernível, porém perceptível, entre filosofia e política. A única filosofia é a História em ato, ou seja, a própria vida humana.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">CONTRA-TESE 6:</span> A filosofia é a História. A ação humana no mundo histórico é a encarnação da filosofia. Mas como a História pode ser a filosofia, se a ação humana (exceto a ação de filosofar no mundo histórico) não é o filosofar em si? Gramsci parte de um enorme contra-senso para aproximar a filosofia da política.</p>
<p>.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">TESE 7:</span> A ideologia é distinta da estrutura e forma o bloco histórico que, muitas vezes, se confunde com o próprio homem em sua realidade social.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">CONTRA-TESE 7:</span> O homem é ideologia? A realidade é ideologia? Se a ideologia se confunde com a realidade social, que é muitas vezes estrutural, como a ideologia pode ser distinta da estrutura?</p>
<p>.</p>
<p><strong>Desenvolvimento das contra-teses<br />
</strong></p>
<p>É bom lembrar, para que o leitor não se confunda, que enquanto as contra-teses são minhas refutações mais fundamentais a Antonio Gramsci, o desenvolvimento das contra-teses são a continuação necessária dos argumentos. Aqui se encontra o ponto alto das minhas refutações, em que eu faço ainda a sondagem das primeiras causas na ordem de pensamento de Antonio Gramsci.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">DESENVOLVIMENTO DA CONTRA-TESE 1:</span> A impossibilidade do filosofar, na verdade, é traduzida pela necessidade de uma nova história, e o que é pior: de uma nova consciência que apreenda os dados sensíveis em sua historicidade absoluta. A consciência filosófica se dissolve na historicidade dos fatos e da ação histórica.</p>
<p><span style="color:#0000ff;"> DESENVOLVIMENTO DA CONTRA-TESE 2:</span> O processo implícito ao qual a CONTRA-TESE 2 se refere é, evidentemente, o processo histórico que absorve a consciência individual e a transforma numa sub-estrutura sem capacidade de produzir valores próprios.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">DESENVOLVIMENTO DA CONTRA-TESE 3:</span> A cultura especializada, na verdade, é uma ideologia revolucionária, que é o sentido da práxis em Gramsci. Essa ideologia se sobrepõe ao próprio método científico.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">DESENVOLVIMENTO DA CONTRA-TESE 4:</span> Gramsci nunca deixa claro o que é a priori ou a posteriori em seu pensamento. O lugar do devir na “filosofia” de Gramsci é em um espaço que não existe em nenhum ponto empírico ou teórico discernível. Na verdade, o devir em Gramsci é um imenso vazio conceitual que se abre entre a percepção e a realidade na consciência humana.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">DESENVOLVIMENTO DA CONTRA-TESE 5:</span> A história não será mais uma história dos casos concretos da sociedade. Será, ao contrário, uma história do sujeito coletivo ou uma história das estruturas, que se tornam o único referencial de realidade possível.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">DESENVOLVIMENTO DA CONTRA-TESE 6:</span> A filosofia em Gramsci é pura ação política. Não há possibilidade nenhuma de verdadeiramente filosofar em Gramsci. Qualquer conceito formado serve diretamente à ideologia comunista.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">DESENVOLVIMENTO DA CONTRA-TESE 7:</span> A conclusão inevitável é que <strong>o homem é estrutura</strong>. O homem se desumaniza ao se submeter à ideologia, pois essa passa a ser sua representação máxima de realidade social.</p>
<p>.</p>
<p>Agradeço aos amigos que chegaram até ao final dessa exposição. Agradeço também a todos aqueles que desejam filosofar e não apenas deixar o devir ou o sujeito coletivo filosofar por nós.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/refutatio.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/refutatio.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/refutatio.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/refutatio.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/refutatio.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/refutatio.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/refutatio.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/refutatio.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/refutatio.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/refutatio.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/refutatio.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/refutatio.wordpress.com/51/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/refutatio.wordpress.com/51/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/refutatio.wordpress.com/51/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=refutatio.wordpress.com&amp;blog=9748972&amp;post=51&amp;subd=refutatio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Refutando um ateu</title>
		<link>http://refutatio.wordpress.com/2009/10/17/36/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 15:49:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[ateísmo]]></category>
		<category><![CDATA[Materialismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Bem-vindos de volta, amigos. Neste presente post, trataremos de deslindar as principais proposições contidas em um artigo intitulado Ateísmo Para Principiantes, do Sr. Sérgio de Biasi, para em seguida refutá-las com base em princípios filosóficos fundamentais. Utilizaremos o mesmo método do post anterior, no qual se nega uma proposição, hipotetiza-se uma objeção do argüente, e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=refutatio.wordpress.com&amp;blog=9748972&amp;post=36&amp;subd=refutatio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bem-vindos de volta, amigos.</p>
<p>Neste presente post, trataremos de deslindar as principais proposições contidas em um artigo intitulado <a href="http://www.oindividuo.org/2009/09/12/ateismo-para-principiantes/">Ateísmo Para Principiantes</a>, do Sr. Sérgio de Biasi, para em seguida refutá-las com base em princípios filosóficos fundamentais.</p>
<p>Utilizaremos o mesmo método do post anterior, no qual se nega uma proposição, hipotetiza-se uma objeção do argüente, e por fim se nega a objeção. Inspirado no <em>disputatio</em> escolástico, creio ser o método mais claro, apropriado e econômico para o espaço que me concedo.</p>
<p>Iniciemos, assim, nosso exercício de refutação:</p>
<p>.</p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Trecho 1 do artigo</strong></p>
<p><em>Há algumas semanas Pedro escreveu um texto entitulado “<a href="http://oindividuo.com/2009/07/21/a-diferenca-entre-crentes-e-ateus/">A diferença entre crentes e ateus</a>” no qual em princípio pretende buscar compreender ou pelo menos descrever, num exercício de empatia, a posição dos ateus não como vistos pelos crentes, mas desde o ponto de vista dos próprios ateus. O texto demonstra uma incompreensão embaraçosa da posição de quem não é crente. Diante disso, achei que seria didático e esclarecedor fazer o exercício de descrever “a nível de ateu” o que de fato penso sobre certos assuntos, inclusive o que eu de fato penso sobre o que os crentes pensam.</em></p>
<p><em>Para começar, observo que já de saída o Pedro supõe que haja muito mais unidade ideológica e de crenças entre os ateus do que realmente há. Com poucas exceções, que em geral surgem como subconjuntos de sistemas mais amplos de pensamento, o ateísmo raramente surge como uma instituição organizada com dogmas ou qualquer tipo de ortodoxia. Quem não acredita em deus em geral não acredita e pronto, individualmente. As pessoas que acreditam em digamos Papai Noel talvez tenham alguma coisa em comum. As que não acreditam costumam simplesmente não pensar nisso, assim como os católicos não ficam em geral gastando seu tempo se reunindo para refutar a existência de Shiva. Evidentemente caso fosse contra a lei não acreditar em Papai Noel ou se pessoas começassem a me insultar por eu não acreditar em Papai Noel talvez eu gastasse mais tempo discutindo Papai Noel. Mas mesmo nesse caso Papai Noel em si mesmo permanece rigorosamente inexistente e irrelevante; são as pessoas falando de Papai Noel que se tornaram um assunto.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas<br />
1) É possível fazer uma analogia entre Deus e o Papai Noel. São duas crenças, e de mesmo grau.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>O argüente constrói um “boneco de palha” do Deus cristão. O Deus cristão não é um mito, é o ser infinito e necessário. Não consta que Papai Noel seja um ser infinito, mas sim um ser contingente e ficcional.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO A:</span> não foi demonstrada/não há como demonstrar a existência do Ser infinito. Segue sendo um ente hipotético ou ficcional.<span style="color:#ff0000;"> </span><br />
<span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO B: </span>a maior parte dos crentes desconhece a noção de Ser, para eles o seu Deus é antropomórfico.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO A:</span> o Ser infinito já foi demonstrado desde Parmênides, e aqui demonstramos da nossa forma: ou há algo, ou não há nada. Se nada há, nada se questiona, logo algo há, algo é. A este algo, a esta positividade, a esta estabilidade, a metafísica chama de <strong>ser</strong>. Ou o ser é finito e contingente ou é infinito e necessário. Se é finito e contingente, houve um tempo em que nada houve. Mas do nada absoluto nada pode provir, porque nada não há, o nada não afirma nada, não tem positividade. Logo, o ser é infinito e necessário. Este ser infinito e necessário é o Deus cristão.<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO B:</span> irrelevante.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 2 do artigo</strong></p>
<p><em>Mas voltemos as afirmações específicas que Pedro faz. Ele começa por afirmar :</em></p>
<blockquote><p><em>Ambos dirão que apenas se submetem à verdade; ambos dirão que seguem suas consciências; ambos dirão, mais ainda, que o que os diferencia do outro lado é o estar certo, o ter razão.</em></p></blockquote>
<p><em> </em></p>
<p><em>De fato, os religiosos parecem em geral dizer e acreditar exatamente nisso (que o que os diferencia do outro lado é estar com a razão). Mas claramente uma grande parte dos ateus – especialmente os que têm uma posição mais científica – dificilmente concordariam que os que os distingue dos religiosos seria “o estar certo, o ter razão”. Afinal, “estar certo” é algo a que não temos acesso direto, e repetidamente descobrimos que estávamos errados quando tudo parecia indicar que estávamos certos. Os próprios ateus discordam de todas as formas possíveis sobre qual o significado, origem e propósito da existência humana e do universo. Alguns por incontornável necessidade lógica estarão certos enquanto outros errados. (Aliás, assim como os religiosos.) Discordam inclusive sobre a possibilidade de responder certas perguntas.</em></p>
<p><em>Então eu diria que o que distingue a mim pessoalmente de um religioso padrão não é tanto o “estar certo” quanto POR QUE eu acho que estou certo. Eu não aceito argumentos de autoridade, tradição ou revelação como “provas” do que seja verdadeiro. E não acho que a fé seja uma boa base para um sistema de crenças. Portanto para mim o que me distingue de um crente padrão não é eu “estar certo” tanto quanto o que eu considero um argumento aceitável para alguém defender que está certo. Eu não acreditar em deus é uma posição circunstancial, não metodológica ou a priori. Caso ele descesse do céu e fizesse milagres na minha frente eu teria que repensar a idéia. Caso alguém definisse deus de uma forma que fizesse sentido e apresentasse evidências de que ele existe eu teria que repensar a idéia. Agora, enquanto isso não acontece, sugiro que é bem mais acreditável que ele seja um personagem mitológico.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas</strong><br />
<strong>1) Religiosos em geral não duvidam de suas posições, acreditam estar certos.</strong><br />
<strong>2) Ateus, pelo contrário, são céticos sobre quase tudo. A única certeza deles é a de que Deus não existe.</strong><br />
<strong>3) É incontornável o fato de que alguém está certo e alguém está errado.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO A:</span> segundo o argüente, a única certeza que os ateus possuem é a da não-existência de Deus. Mas já provamos que Deus é justamente a máxima certeza que o sujeito cognoscente pode ter, pois é o ser infinito, é o real positivo que abarca tudo que é. A primeira evidência do sujeito cognoscente é a de que há esse algo, ou nada haveria.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO A:</span> a evidência metafísica não é suficiente, o ateu requer a evidência empírica.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO 1 DA OBJEÇÃO A: </span>ou a evidência empírica está submetida à evidência metafísica ou não está. Se não está, a evidência empírica prescinde de toda evidência metafísica para se realizar. Ora, o ser necessário, o princípio da identidade, o princípio da não-contradição e o princípio do terceiro excluído são evidências metafísicas. Logo, afirmaria o argüente que é possível uma evidência empírica sem que: a) algo exista b) algo se identifique consigo mesmo c) algo não negue a si mesmo e d) algo seja ou não seja. É patente o absurdo de tal assertiva.<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO 2 DA OBJEÇÃO A:</span> a evidência empírica é apresentada pelas cinco vias de São Tomás de Aquino. O ser infinito se evidencia na natureza pelo princípio da causação, pela ordem, pelo movimento, pelos graus de existência e pela finalidade das coisas. Não nos aprofundaremos aqui sobre este tópico.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO B:</span> se alguém está certo, há uma verdade. Ou a verdade é necessária ou é contingente. Se é contingente, afirma-se que é necessária que seja contingente, logo há uma verdade necessária, última, que a subordina. A verdade necessária e última é necessariamente infinita – é o ser infinito. Este é o Deus cristão.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO B:</span> pode o homem afirmar que há uma verdade, mas não que ela possa ser conhecida. Assim, não sabemos se a verdade é necessária.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO B:</span> se pode o homem afirmar que há uma verdade, ela deve ser necessária, ou ela seria contingente, e haveria mais de uma verdade. Mas seguiria havendo uma verdade absoluta: a de que há várias verdades, a ela subordinadas. A evidência de uma infinitude é inescapável, como claro se mostra.</p>
<p><strong>4) Ateus em geral fundamentam seus argumentos; religiosos em geral não.</strong><br />
<strong>5) Religiosos em geral aceitam argumentos de autoridade, tradição e revelação, enquanto um ateu os rechaça.</strong><br />
<strong>6) A fé não é uma boa base para um sistema de crenças.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>cremos que o argüente por “sistema de crenças” tenha querido dizer filosofia, conhecimento, porque já deixou claro que há alguma verdade. Pois bem, negamos que a fé seja uma base deficiente para o conhecimento, porque na verdade ela é o seu fundamento mais elevado, necessariamente.<br />
O problema aqui também passa pela definição terminológica. Fé não é somente a “vontade de potência” ou “desejo extrínseco” que muitos tomam. O que se afirma como <strong>verdade metafísica</strong> encontra a sua justificação no que se revela como <strong>verdade de fé</strong> na teologia cristã. Há fé em crer que haja qualquer correspondência entre a mente e o algo que há.</p>
<p><strong>7) Acreditar em Deus é uma posição circunstancial, não metodológica ou a priori.</strong><br />
<strong>8 ) Para a crença em Deus se justificar, é necessária:</strong><br />
<strong>a) a comprovação empírica de sua existência.</strong><br />
<strong>b) uma definição que faça sentido e que apresente evidências</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> já refutados. O ser necessário e infinito é a priori e evidente.</p>
<p><strong>9) Tudo o que não possui comprovação empírica é dotado de um aspeco mitológico.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> já demonstramos o erro evidente de tal afirmação.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 2 do artigo</strong></p>
<blockquote><p><em>não se deve esquecer que uns considerarão os outros a praga da humanidade</em></p></blockquote>
<p><em> </em></p>
<p><em>Isso está comicamente longe de descrever a posição seja do religioso médio, seja do ateu médio. Se formos seguir a tradição de algumas religiões, elas *de fato* oficialmente instam seus fiéis a considerarem todos os pagãos como pecadores, indignos e merecedores de punição eterna, mas felizmente grandes massas de religiosos não levam isso a sério. E uma grande massa entre os ateus acham religião equivalente a acreditar em Papai Noel : delirante mas inofensivo ou até mesmo positivo por fazer as pessoas mais felizes.</em></p>
<p><em> </em></p>
<blockquote><p><em>Mas qual será o fundamento subjetivo de sua diferença? Haverá uma atitude fundamental que distinga um grupo do outro?</em></p></blockquote>
<p><em> </em></p>
<p><em>Para *mim*, pessoalmente, a questão já está colocada da forma errada. Como eu disse antes, há muito mais unidade ideológica entre crentes do que entre não crentes. Se eu tivesse que buscar algo para distinguir os dois grupos, eu sinto vontade de dizer (porque é isso que *eu* pessoalmente sinto que me distingue) que para mim seria o que é aceito como critério de verdade, como eu disse acima. Mas que se note, isso é uma descrição caricatural, porque evidentemente há entre os ateus aqueles que apesar de não serem “crentes” no sentido proposto pelo Pedro, acreditam em todo tipo de disparates alucinados como astrologia, mágica ou espíritos. E até mesmo para não acreditar em deus há todos os tipos de motivos, desde “o governo mandou” até “isso é chique”. Não existe realmente unidade de atitude fundamental entre os ateus. Então não há como responder seriamente a esta pergunta.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Talvez pudéssemos recolocar a pergunta como : “Qual é a atitude fundamental que caracteriza os crentes?”. E mesmo essa, dada a diversidade do grupo, seria difícil de responder de forma não caricatural. Eu pessoalmente tendo a responder que é o triunfo da intensa necessidade instintiva de que a vida faça sentido e tenha um propósito sobre a percepção racional de que ela não faz e não tem. Mas isso sou eu. E além disso o complemento não é verdade; muitos não crentes sucumbem à mesma necessidade instintiva, apenas projetam sua necessidade psicológica de serem cosmicamente relevantes em outros tipos de fantasias.</em></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><strong>Proposições contidas</strong><br />
<strong>1) A atitude fundamental que caracteriza o crente é a necessidade instintiva de que a vida faça sentido e tenha um propósito.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> o argüente afirma, de maneira indireta, que a evidência do Ser infinito é precedida por um instinto biológico –  ele dá assim mais realidade ao fenômeno psicológico do que à existência per se, absoluta, o que é absurdo. Trata-se de um argumento que peca pelo biologismo, ou, mais precisamente, psicologismo.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> não se trata de preceder o argumento metafísico, mas de explicar a atitude que o afirma.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> irrelevante. Os motivos da argumentação, quaisquer que fossem, não desqualificariam a argumentação em si, que já foi provada ser evidente e necessária. Nem mesmo a lógica seria possível sem o ser necessário. Esta própria objeção do argüente poderia ser usada contra ele mesmo.</p>
<p><strong>2) A “percepção racional” é de que a vida não faz sentido e não tem propósito.</strong><br />
<strong>3) O ateu mais científico é aquele que se fundamenta na “percepção racional”. (pois há ateus tão instintivos quanto os crentes)</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO A:</span> a “percepção racional” valora as coisas, e o valor é um sentido. Ao aplicar a razão sobre a realidade, o sujeito lhe dá um sentido.<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO B:</span> reafirma o argüente a existência de uma verdade – no caso, a de que a vida não tem sentido. Se não há sentido, não há verdade.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO A:</span> a “percepção racional” não é um valoração.<br />
<span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO 1 a B:</span> a verdade está na realidade, e não na vida, no sujeito cognoscente.<br />
<span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO 2 a B:</span> a verdade não implica propósito.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO A:</span> a “percepção racional” é uma operação, ela conexiona coisas captadas pelo intelecto, não é as próprias coisas, assim como uma fórmula não é a própria matéria de que ela é fórmula, mas uma <strong>disposição</strong>, uma <strong>qualidade</strong> desta matéria. Logo, a “percepção racional” dá valor, dá sentido.<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO 1 a B:</span> se há verdade no real, há necessariamente verdade no sujeito cognoscente, em razão de pelo menos uma evidência: o sujeito cognoscente faz parte do real.<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO 2 a B: </span>a verdade possui pelo menos um propósito em si mesma, e já demonstrado: <strong>ser </strong>(haver, afirmar, existir). É necessário que o próposito do ser finito e contingente esteja submetido ao do ser infinito e necessário, que lhe causa. Não faremos digressões sobre o propósito do homem, mas que há um propósito no ser finito fica assim evidente.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 4 do artigo</strong></p>
<p><em> </em></p>
<blockquote><p><em>diante da complexidade do mundo, o crente pressente a existência de uma inteligência transcendental, ao passo que, para o ateu, esse pressentimento é um passo indevido, uma projeção de quem observa o mundo.</em></p></blockquote>
<p><em> </em></p>
<p><em>Até aí, concordo plenamente. “Pressentir” coisas sem ir lá testá-las não é base para um sistema de crenças sobre como o universo funciona. Mas até mesmo sobre isso não é claro para mim que haja concordância generalizada entre os ateus.</em></p>
<p><strong>Proposição contida:</strong><br />
<strong>1) Todo “pressentimento” não testado é a base para a religião.</strong><br />
<strong>2) A comprovação empírica é a base para um sistema de crenças sobre o universo.</strong><span style="color:#0000ff;"> </span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"> </span>Ambas devidamente já refutadas.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 5 do artigo</strong></p>
<blockquote><p><em>O crente, ao perceber algo mais vasto que sua própria inteligência, julga tratar-se da obra de outra inteligência; o ateu, ao perceber algo mais vasto que sua própria inteligência, julga que o domínio dessa vastidão virá com o tempo. Parece que as duas atitudes refletem duas posições a respeito de uma possível ciência universal.</em></p></blockquote>
<p><em> </em></p>
<p><em>Discordo absolutamente. Tanto pessoalmente, quanto que isso remotamente descreva a posição da massa dos ateus, que freqüentemente dizem algo nas linhas de “Eu não sei, desconfio que você também não sabe, e sei lá se algum dia saberemos.” Certamente não descreve a *minha* posição.</em></p>
<p><em>Aliás, achar que o “domínio dessa vastidão virá com o tempo” é uma posição que não só não é representativa dos ateus como nem ao menos está com sintonia com o sentimento atual da comunidade científica. Algumas das descobertas mais importantes do século 20 tiveram a ver com se determinar a impossibilidade de conhecer certas coisas. Note, não digo nem a impossibilidade prática; digo a impossibilidade mesmo. Isso foi um grande golpe para muitos cientistas que acreditavam que a ciência poderia um dia saber ou explicar tudo. O próprio Einstein por exemplo nunca ficou muito feliz com o indeterminismo embutido na mecânica quântica e sempre considerou que isso não poderia representar como o universo realmente funciona, e tinha que ser sim um artefato da nossa ignorância sobre a realidade. O entendimento moderno é que ele estava equivocado sobre isso. Existem vários outros exemplos de importantíssimos resultados científicos obtidos modernamente sobre os limites – mesmo em tese – do conhecimento humano.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><br />
<strong>1) A posição atéia em geral se conforma à posição agnóstica.</strong><br />
<strong>2) A ciência contemporânea já mostrou que a impossibilidade de conhecermos tudo.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> se é impossível conhecer tudo, como pode o ateu ter certeza da não-existência de qualquer ente?</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO A:</span> o ateu, como o agnóstico, não tem essa certeza. A diferença é que, para o ateu, enquanto não for possível não demonstrar, não é possível a existência.<br />
<span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO B:</span> mesmo sem conhecer tudo, sabemos que Papai Noel e duendes são entes impossíveis.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO A:</span> esta é uma aporia muito clara. Ou algo é necessário, ou possível ou impossível. Se não for evidenciada ou demonstrada sua impossibilidade, não se pode afirmá-la. O mais legítimo aqui seria tomar a posição agnóstica, ou a dogmática de fé (&#8220;creio que não haja o ente X&#8221;). Ademais, o ser infinito, o Deus cristão, já teve sua necessidade demonstrada.<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO B:</span> primeiro, não sabemos que eles são impossíveis, sabemos que eles são improváveis. Papai Noel e duendes são seres ficcionais; contradizem leis físicas, provavelmente, mas não contradizem categorias metafísicas. Segundo, já foi evidenciado o erro crasso em comparar seres ficcionais (e simplesmente possíveis) com o ser infinito e necessário, que é o Deus cristão.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 6 do artigo</strong></p>
<blockquote><p><em>De um lado, o crente pergunta ao ateu: “E quando ficar evidente que a ciência universal é impossível, você passará a crer?”</em></p></blockquote>
<p><em> </em></p>
<p><em>Curiosamente, nunca nenhum crente colocou essa questão para mim, e duvido que a maior parte dos crentes se identificaria com essa pergunta. Alem disso, o fato de que a ciência universal é impossível já ficou – ironicamente e para grande surpresa da maior parte dos cientistas – cientificamente claro ao longo do século 20. Em particular para mim, é perfeitamente evidente que a ciência universal é impossivel e eu sigo não vendo qualquer motivo para diante disso acreditar em deus. Além disso, eu acho que *se* por hipótese houvesse uma ciência universal e se ela deixasse claro que a vida não faz qualquer sentido (como na minha opinião a nossa ciência parcial já indica fortemente), isso só aumentaria a necessidade emocional de irracionalmente acreditar em algo que dê magicamente sentido à vida. Acreditar em deus não é um ato de razão, é uma forma capenga de lidar com o desconhecido e com a falta de sentido. Como, aliás, essa própria pergunta parece indicar de forma embaraçosamente reveladora.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><br />
<strong>1) Em geral os crentes afirmam conhecer Deus mesmo sem acreditarem na possibilidade da ciência universal.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>se os crentes de fato acreditassem que podem conhecer Deus, afirmariam, enquanto sujeito cognoscente, ser possível o conhecimento infinito do ser infinito, o que eles claramente não o fazem.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> eles afirmam o conhecimento do ser infinito no momento em que afirmam a sua existência.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> o argüente confunde evidência <em>páthica</em> com conhecimento noético. A evidência <em>páthica</em> é a evidência da própria realidade per se atuando sobre o sujeito, que dela participa. A existência do <em>algo</em> não é conhecida pela operação de idéias e conceitos, pela razão e sua operação, como a demonstração silogística, mas pela <strong>evidência necessária</strong>, sem a qual não haveria absolutamente nada. Uma coisa é perceber o real infinito porque a própria existência do sujeito depende dele, outra é buscar conhecer diferentes entes que participam deste mesmo real e que não são evidentemente necessários para que o sujeito cognoscente exista. (o <em>páthica</em> vem de <em>pathos</em>, de afecção, de sofrer ação).</p>
<p><strong>2) A ciência contemporânea já deixou claro que é impossível uma ciência universal.</strong><br />
<strong>3) A ciência parcial já indica fortemente que a vida não tem qualquer sentido.</strong><br />
<strong>4) Acreditar em Deus não é um ato de razão, mas sim uma forma capenga de lidar com o desconhecido e com a falta de sentido.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> todas já devidamente tratadas e refutadas. O crente sabe que a ciência universal é impossível (enquanto ser cognoscente), mas isto não exclui a evidência metafísica (e também empírica) do ser infinito; além disso, já se demonstrou que a vida necessariamente tem um sentido.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 7 do artigo</strong></p>
<blockquote><p><em>E o ateu pergunta: “E se a ciência universal acontecer, você deixará de crer?”</em></p></blockquote>
<p><em> </em></p>
<p><em>Ora bolas, se a ciência universal fosse atingida, ela nos informaria se deus existe ou não. Colocar qualquer possibilidade que não seja “eu acreditaria no que ela dissesse” demonstra precisamente a diferença de atitude entre crentes e ateus. Ou pelo menos entre mim e as pessoas que acreditam em coisas com base nas suas necessidades emocionais e não no que tudo indica que seja verdade.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><br />
<strong>1) Sem a ciência universal, é impossível informar se Deus existe ou não.</strong><br />
<strong>2) O ateu acreditaria no que dissesse a ciência universal.</strong><br />
<strong>3) A crença sem a ciência universal se dá com base em “necessidades emocionais”.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> vê-se que o argüente aqui se contradiz, afirmando indiretamente ser a sua certeza baseada em necessidades emocionais.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> a certeza do ateu é pela falta de evidências e provas.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> de forma indireta, o argüente afirmaria assim um princípio: “todo ente é impossível enquanto não houver evidência empírica”. Dois sérios problemas decorrem de tal princípio: a) a impossibilidade do conhecimento, pois o conhecimento é um conhecimento descobridor, e não se investiga aquilo que se considera impossível e b) o sujeito cognoscente seria um ente impossível para outro sujeito cognoscente que não o conheça empiricamente.<br />
De todo modo, já demos as evidências e provas básicas do ser infinito, que é o Deus cristão.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 8 do artigo</strong></p>
<blockquote><p><em>É um tanto irresistível observar que, dita assim, a posição atéia parece se basear não num prometeanismo voluntarista, mas num prometeanismo inevitável: a transcendência não será mais necessária porque conquistá-la é só uma questão de tempo.</em></p></blockquote>
<p><em>Eu não vejo por que motivo a tal inatingível “ciência universal” tornaria a transcendência “desnecessária”; talvez logicamente desnecessária, mas isso ela já é. O fato de que não podemos conhecer certas coisas é algo para ser aceito, não para ser “consertado” com “transcendência”. E a – diga-se de passagem, legítima – necessidade de transcendência espiritual é primordialmente psicológica, não lógica ou racional. Mas buscá-la projetando suas necessidades emocionais na estrutura da realidade e não em sua interpretação e significado é uma acochambração equivocada. A maioria absoluta das pessoas quando se aventura a falar da origem do universo não está realmente preocupada com de onde o universo *de fato* veio, e sim com qual o sentido de suas vidas.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas</strong><br />
<strong>1) A ciência universal não tornaria a transcendência desnecessária para os crentes.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> é evidente que não tornaria, pois a ciência universal é, de certo modo, a transcendência. O estado de beatitude cristão é uma fusão com o absoluto (ou o ser infinito) prometido <strong>para fora</strong> do estado atual do homem, para fora de sua vida. É impossível esta beatitude, esta plenitude cognoscitiva, enquanto ser biológico, concreto e  finito.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> trata-se de uma crença.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> trata-se de uma crença, sem dúvidas, e com base nas evidências metafísicas e empíricas do ser infinito, da causação das coisas e da finalidade do homem. Não iremos nos prolongar sobre isso, mas basta dizer que o ateu é análogo ao crente no sentido de que também crê ou afirma crer em algo (a impossibilidade do ser infinito) com base em evidências, no seu caso tão-somente evidências empíricas (as evidências metafísicas invalidam a sua posição).</p>
<p><strong>2) A transcendência já é logicamente desnecessária.</strong><br />
<strong>3) A transcendência é um subterfúgio para quem não aceita a impossibilidade da ciência universal.</strong><br />
<strong>4) A transcendência espiritual é primordialmente psicológica, não lógica ou racional.</strong><br />
<strong>5) A origem do universo nada tem a ver com o sentido da vida humana.</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Todas devidamente já tratadas e refutadas.</p>
<p>.</p>
<p>Terminam aqui as nossas refutações aos princípios contidos no discurso do sr. Sérgio de Biasi. Esperamos que ele demonstre o erro em nossas argumentações, ou que concorde com elas, ou que modifique o seu raciocínio de modo a formular novas proposições ainda não refutadas.</p>
<p>Grato.</p>
<p>.</p>
<p>EDIT:  modifiquei um pouco a 1ª proposição contida no trecho 6 do artigo; ela não estava muito precisa.</p>
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		<title>Refutando um niilista</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 20:55:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renan</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sentido]]></category>

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		<description><![CDATA[Olá, pessoal. Hoje inauguramos este blog, que servirá unicamente para refutações sistemáticas de certos erros filosóficos. Como diria Chesterton, buscaremos &#8220;desenredar o enredado&#8221;, mostrando os absurdos implícitos em determinadas afirmações, mesmo aquelas que, à primeira vista, não soam tão problemáticas. . . . Começaremos por um exemplo bem trivial. O Sr. André Díspore Cancian lançou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=refutatio.wordpress.com&amp;blog=9748972&amp;post=10&amp;subd=refutatio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá, pessoal.<br />
Hoje inauguramos este blog, que servirá unicamente para refutações sistemáticas de certos erros filosóficos. Como diria Chesterton, buscaremos &#8220;desenredar o enredado&#8221;, mostrando os absurdos implícitos em determinadas afirmações, mesmo aquelas que, à primeira vista, não soam tão problemáticas.<br />
.<br />
.<br />
.<br />
Começaremos por um exemplo bem trivial.</p>
<p>O Sr. <strong>André Díspore Cancian</strong> lançou um livro chamado <a href="http://niilismo.com.br/resenha.php">O Vazio da Máquina – Niilismo e outros abismos</a> – o título é bem sugestivo, e já elucida um problema sério do niilismo: o de ele ser um abismo. Ao lermos a sinopse no site, já se percebem muito claramente algumas aporias, e nelas nos reteremos. Não sabemos qual o conteúdo integral do livro do sr. André, mas acreditamos que tal resumo já deixe claro a maior parte dos seus princípios. Julgamos que toda sinopse deva ter um mínimo de responsabilidade para com sua obra correspondente.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Nosso método</strong> se inspira um pouco na escolástica: pinçam-se os proposições contidas nos pedaços de discurso, negam-se as falsas, formulam-se possíveis objeções à negação e então negam-se as objeções. Pouca coisa clarifica mais os erros do que este procedimento.</p>
<p>Dado isto, sigamos.<br />
.<br />
.<br />
<strong>Trecho 1 da Sinopse</strong><br />
<em>O Vazio da Máquina tem como finalidade apresentar ao leitor uma abordagem niilista da realidade e do homem. O livro inicia-se com definições básicas sobre niilismo, discutindo a relação deste com alguns aspectos de nossas vidas; isso para entendermos o niilismo com clareza, para deixarmos de vê-lo como uma postura extremada. Notaremos que o niilismo nada mais é que uma visão honesta e sensata da realidade. Complementando esse alicerce teórico inicial, tecemos algumas considerações sobre o conhecimento e a ciência.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><br />
<strong>1) É possível ao niilismo tecer definições sobre a realidade</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO</span>: Sem conhecimento não há definição, e sem valor não há conhecimento. O niilista nega o valor, portanto nega a possibilidade de conhecimento. Logo, não é possível ao niilista tecer definições sobre a realidade.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO A</span>: o conhecimento não é valorativo. O conhecimento é uma operação do cérebro.<br />
<span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO B</span>: o conhecimento não é valorativo. É uma identidade entre conceito mental e realidade.<br />
<span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO C</span>: o niilismo não nega o valor.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO A</span>: toda operação é uma determinada disposição de coisas. Toda determinada disposição de coisas é um valor, e não um objeto (assim como uma fórmula é uma disposição de objetos e não os próprios objetos). Logo, toda operação é um valor. (Chesterton diria que o niilista é aquele que usa o espírito para mostrar que só há matéria)<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO B:</span> <span style="color:#000000;">a identidade é uma relação. </span><span style="color:#000000;">Que A seja A significa que não é B nem C.</span><span style="color:#000000;"> Toda relação é um valor, logo a identidade é um valor.<br />
</span><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO C</span>: se o niilismo não nega o valor, não nega o sentido, portanto deixa de ser niilismo.</p>
<p><strong>2) O niilismo não é uma postura extremada.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO A</span>: o niilismo nega o sujeito, negando em conjunto o conhecimento, e assim negando a si próprio. Desta forma, o niilismo mostra-se claramente uma postura extremada, porque contraditória e aporética.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO à A</span>: o niilismo é realista, e não extremado.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">N</span><span style="color:#0000ff;"><span style="color:#0000ff;">E</span>GAÇÃO DA OBJEÇÃO à A</span>: é impossível ser realista negando que haja o real, e, como se demonstrou, é isso que faz o niilismo.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO B</span>: toda postura é um valor. Como o niilista nega o valor, é impossível ao niilista adotar uma postura.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO à B</span>: uma postura não é um valor, mas uma intensidade das operações cerebrais, intensidade essa que é quantitativa.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO à B</span>: como já demonstrado, toda operação é um valor. Logo, toda postura é obrigatoriamente valorativa.</p>
<p><strong>3) Não só o niilismo pode definir a realidade, como ele é a (única?) visão honesta e sensata sobre ela.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO</span>: como já demonstrado, o niilista sequer pode conhecer a realidade, que dirá valorá-la.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO</span>: a realidade é que tudo é caos.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO</span>: se tudo é caos, não há ordem alguma. Se não há ordem alguma, como é possível ao niilista conhecer a realidade e mesmo identificar coisas? Se tudo é caos, não é possível nem mesmo o princípio da identidade.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 2</strong><br />
<em>Após esse momento, temos os ensaios críticos; investigamos alguns dos tópicos centrais da existência humana, clássicos da filosofia. Passamos por temas como solidão, hipocrisia, sofrimento, suicídio, loucura, egoísmo, felicidade. São, sem dúvida, assuntos pesados, mas é exatamente essa a proposta do livro; tratar de assuntos difíceis com clareza e honestidade, sem qualquer preocupação em poupar o leitor.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><br />
<strong>1) É possível ao niilista qualificar (adjetivar) a realidade.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> toda qualificação é uma valoração. Como o niilista nega o valor, é impossível que ele qualifique a realidade.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> a qualificação não é uma valoração, mas uma interpretação que o cérebro faz da matéria percebida.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO A DA OBJEÇÃO:</span> toda interpretação é uma valoração, pois soma algo àquilo que percebe.<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO B DA OBJEÇÃO:</span> toda interpretação é causada por algo, ou existe por si mesma. Se existe por si mesma, é absoluta, o que é absurdo. Logo, há algo na realidade ou no sujeito que causou aquela interpretação, o que contradiz o niilismo.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 3</strong><br />
<em>O fato, entretanto, é que gostamos de nos poupar. Mesmo que a ciência tenha nos proporcionado um conhecimento sólido sobre o mundo, ainda consideramos um tabu sermos completamente honestos. Temos medo do vazio da existência, o abismo niilista nos aterroriza. Mas veremos que esse medo é sem sentido, que é muito preferível aceitar uma existência sem sentido a continuar acreditando num sentido falso para a existência, que aponta para lugar nenhum. Ao sermos honestos, tudo o que temos a perder são ilusões.</em></p>
<p><strong>Proposição contida:</strong><br />
<strong>1) É possível ao niilista lançar mão do conhecimento sobre o mundo.</strong></p>
<p>Já demonstramos a falsidade de tal juízo. O niilista simplesmente não pode conhecer, pois “conhecimento” não é algo de ordem puramente material. As objeções a isso serão as mesmas já refutadas.</p>
<p><strong>2) É possível ao niilista ser honesto.</strong></p>
<p>Idem acima.</p>
<p><strong>3) O medo que o abismo niilista causa ao homem comum é, na verdade, sem sentido.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>É contraditório ao niilista emitir tal juízo, pois se o mundo não tem sentido, nada pode causar coisa alguma.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO: <span style="color:#000000;">a causação é uma ilusão da mente.</span></span></p>
<p><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO A DA OBJEÇÃO: <span style="color:#000000;">se a causação é uma ilusão, a premissa não condiz com o real.</span><br />
</span></span></span><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO B DA OBJEÇÃO:</span> se a causação é uma ilusão, o caos é a verdade. Já demonstramos a falsidade de tal assertiva.</span></span><br />
<span style="color:#ff0000;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO C DA OBJEÇÃO:</span> se a causação é uma ilusão, não há antecedente e nem conseqüente, e tudo é em <strong>absoluto</strong>, ao mesmo tempo, inclusive o sujeito que tem a ilusão. Se tudo é absoluto, não há o possível e nem o impossível, tudo <em>é</em>. Tal afirmação é absurda.<br />
</span></span></p>
<p><strong>4) É preferível ao homem ser niilista.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO A:</span> tudo o que é preferível é preferível porque é melhor. É contraditório ao niilista afirmar que algo é melhor do que outra coisa, pois toda relação é um valor, e o niilista nega o valor;<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO B</span>: Se ao homem é melhor ser niilista, é melhor por uma razão. Mas o niilista não acredita na razão, pois a razão é um valor, um sentido, logo é contraditório ao niilista fazer tal afirmação.</p>
<p><strong>5) Ou o homem é niilista ou acredita num sentido falso para a existência.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> o erro aqui é patente. Se o homem não niilista acredita num sentido falso para a existência, está implícita a premissa de que há um sentido correto para a existência. Mas o niilismo afirma que não há sentido algum para a existência.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO: <span style="color:#000000;">o sentido é que não há sentido.</span></span></p>
<p><span style="color:#ff0000;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> se o sentido é que não há sentido, não há sentido algum para o sujeito apreender. A contradição é evidente.</span></span></p>
<p><strong>6) A existência aponta para lugar nenhum.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: <span style="color:#000000;">toda existência </span><span style="color:#000000;">tem um fim. Se não tiver um fim, é porque não tem conseqüente. Se não tem conseqüente, é porque não tem antecedente, e assim eliminamos a causação, o que já se provou ser um erro. Também se provou que a realidade não pode ser um caos.<br />
</span></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO A: </span>a antecedente não exige a conseqüente.</span></span><br />
<span style="color:#0000ff;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO B: </span>a existência é por si própria</span></span><br />
<span style="color:#0000ff;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO C:</span> a conseqüente é a própria existência<br />
</span></span></p>
<p><span style="color:#0000ff;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO A:</span> toda antecedente só é antecedente em relação a uma conseqüente. Toda causa é causa de um efeito.</span></span><br />
<span style="color:#0000ff;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO B:</span> se a existência é por si própria, ela é absoluta e infinita, pois não é causada e nem tem fim; o que já se demonstrou ser absurdo.</span></span><br />
<span style="color:#0000ff;"><span style="color:#000000;"><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO C: </span>então o fim é a existência, e assim o niilista se contradiz.<br />
</span></span></p>
<p><strong>7) Ser honesto é ser niilista.</strong></p>
<p>Já refutamos tal ponto.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 4</strong><br />
<em>Ao longo das reflexões, perceberemos que nossa moderna visão do mundo ainda esconde muitos preconceitos metafísicos; esses preconceitos fazem com que vejamos os fatos sob uma ótica constantemente falsa; fugimos daquilo que, inescapavelmente, determina nossas vidas. Sentimo-nos solitários, mas nunca tentamos entender por quê; sofremos, mas não damos importância a isso por acreditarmos que nossas vidas caminham em direção à felicidade absoluta; somos egoístas e hipócritas, mas não o admitimos porque consentimos em ser calados pelas convenções sociais; indivíduos matam-se todos os dias e, em vez de tentar entender o porquê, simplesmente repetimos chavões mecanicamente até alguma ocupação nos tirar essa ideia angustiante da cabeça. Fugimos de todos esses assuntos como covardes.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><br />
<strong>1) Os “preconceitos metafísicos” nos impedem de ver a realidade.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> não há realidade para o niilista, logo tal afirmação lhe é impossível.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> a realidade para o niilista é que não há sentido.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> já refutado.</p>
<p><strong>2) A realidade é aquilo que determina nossas vidas.</strong></p>
<p>Já refutado, clara contradição ao niilismo.</p>
<p><strong>3) O homem comum acredita que sua vida caminha em direção à felicidade absoluta.<br />
4) O homem comum é egoísta e hipócrita.<br />
5) As “convenções sociais” calam o a verdadeira noção do homem comum.<br />
6) O homem comum deve tentar entender o porquê.<br />
7) Ser niilista é tentar entender o porquê das coisas.</strong></p>
<p>Todas ou já refutadas ou patentemente contrárias ao niilismo.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 5</strong><br />
<em>Deixamos essas questões de lado porque pensamos que investigá-las nos conduziria à loucura. Muito pelo contrário; isso nos conduziria apenas à lucidez, nos permitiria viver com os pés no chão. As respostas para tais questões são muito mais óbvias do que pensamos, e muitas vezes sabemos quais são. Parece quase surreal que, para proteger pequenas ilusões cotidianas, inventamos grandiosas ilusões metafísicas. Contudo, é fato; realmente fazemos isso. Preferimos abraçar várias ilusões absurdas a aceitar a realidade mais elementar, que está bem diante de nossos olhos. Todas essas incoerências são resultado dos preconceitos metafísicos aos quais ainda nos agarramos desesperadamente em busca de um sentido que não faz sentido algum. Afirmamos que tais assuntos são demasiado profundos apenas como pretexto para tratá-los superficialmente; vemo-los como perguntas impossíveis de ser respondidas apenas porque temos medo das respostas.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><br />
<strong>1) Investigar a realidade conduz o homem à lucidez.<br />
2) Ser niilista é ser lúcido.<br />
3) As questões da existência têm respostas.</strong></p>
<p><strong>4) Não ser niilista é viver em ilusão.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>se há ilusão, há o real. Já demonstramos que o real não é possível para a mentalidade niilista, pois para ela as coisas não possuem sentido.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> trata-se de uma metáfora.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO DA OBJEÇÃO:</span> toda metáfora é valorativa, é um sentido (alternativo), logo nenhum niilista pode utilizar uma metáfora sem apontar um sentido. Mas para o niilista não há sentido, logo é contraditório a um niilista utilizar metáforas ou mesmo discursar sobre o real.</p>
<p><strong>5) As “grandiosas ilusões metafísicas” mantêm o homem na ilusão.</strong></p>
<p>Já refutada.</p>
<p><strong>6) Viver na ilusão é buscar desesperadamente um sentido que na verdade não existe.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO:</span> se a não existência do sentido é uma verdade, há uma verdade. Toda verdade é um sentido, logo a afirmação é contraditória. Já refutada anteriormente.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 6</strong><br />
<em>Nós realmente somos aquilo que parecemos ser: máquinas. Não há nada por detrás. Esse por detrás foi inventado por nós numa tentativa infantil de humanizar a existência. Já perdemos tempo demais nos enganando com esse conceito falso de profundidade do saber. Temos o mundo diante de nossos olhos, e podemos compreendê-lo nós mesmos. Não precisamos do intermédio da ótica de alguma teoria que tenta garantir que nosso cérebro nunca se torne parte da equação. Esse é o único modo de chegarmos a compreender todas as nossas limitações, mas também todas as nossas possibilidades reais, e empregar todo o nosso entendimento para tirar algum proveito de uma existência tão pouco aproveitável como a nossa.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><br />
<strong>1) Todo homem é uma máquina, ou seja, trata-se apenas de matéria complexa.</strong></p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO: </span>toda máquina é criada pelo homem, logo possui um sentido porque é criada para um fim. Se o homem é uma máquina, conclui-se que ele também tem um sentido. Tal afirmação contradiz o niilismo.</p>
<p><span style="color:#ff0000;">OBJEÇÃO:</span> a criação da máquina é só mais um evento aleatório do caos. Tanto homem como máquina surgem ao acaso.</p>
<p><span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO A DA OBJEÇÃO:</span> então não há sentido em comparar o homem a uma máquina.<br />
<span style="color:#0000ff;">NEGAÇÃO B DA OBJEÇÃO</span>: então tudo é caos, o que contradiz o niilismo, como já provamos.</p>
<p><strong>2) A existência (o sujeito) não é humana, ou seja, não tem sentido.<br />
3) Não existe profundidade no saber, a realidade é patente ao olhos do homem.<br />
4) Podemos compreender a realidade.<br />
5) Não ser niilista é colocar o cérebro fora da compreensão.</strong></p>
<p>Todas já devidamente refutadas.</p>
<p><strong>6) Para o niilista, o homem possui limitações e capacidades, e a ele é possível compreendê-las.</strong></p>
<p>Claramente contraditório à posição niilista.</p>
<p><strong>7) Para o niilista a existência é pouco aproveitável, logo é possível tirar algum proveito dela.</strong></p>
<p>Como já dissemos, é contraditório ao niilista emitir tais juízos de valor.</p>
<p>.</p>
<p><strong>Trecho 7</strong><br />
<em>Temos diante de nós a tarefa de realmente nos valermos de nosso conhecimento; desnudar o homem moderno; apontar seus preconceitos metafísicos e morais; quebrar algumas de suas muletas, algumas de suas dúvidas mais vergonhosas; trazer à luz algumas de nossas mentiras mais sagradas, algumas de nossas verdades mais secretas. É uma dolorosa revisão da realidade, mas há muito necessária para limparmos a vista.</em></p>
<p><strong>Proposições contidas:</strong><br />
<strong>1) É tarefa do niilista valer-se do conhecimento humano para apontar erros e verdades.<br />
2) O processo é doloroso.</strong></p>
<p>Já refutadas.</p>
<p>.</p>
<p>.</p>
<p>Estes são, assim, os erros de princípio da argumentação analisada.<br />
Restará ao autor ou desdizer-se, ou provar que as nossas demonstrações são falsas, ou indicar que as proposições e premissas que refutamos se resolvem de forma completamente diferente no bojo de sua obra.</p>
<p>Obrigado.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/refutatio.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/refutatio.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/refutatio.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/refutatio.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/refutatio.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/refutatio.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/refutatio.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/refutatio.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/refutatio.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/refutatio.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/refutatio.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/refutatio.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/refutatio.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/refutatio.wordpress.com/10/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=refutatio.wordpress.com&amp;blog=9748972&amp;post=10&amp;subd=refutatio&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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